Pinturas de Matisse, Cézanne e Renoir foram roubadas da colecção da Fundação Magnani Rocca, em Mamiano di Traversetolo, Itália. O assaltou aconteceu na madrugada de dia 22 para dia 23 de Março, mas só este domingo foi divulgado na imprensa italiana.

As obras roubadas foram Os Peixes, de Pierre-Auguste Renoir, Odalisca num Terraço, de Henri Matisse, e Natureza Morta com Cerejas, de Paul Cézanne, e estão avaliadas em dezenas de milhões de euros.

De acordo com as autoridades, as câmaras de vigilância da fundação registaram a presença de quatro indivíduos encapuçados, cuja identidade, naturalmente, estará ainda por apurar. Escreve a imprensa italiana que os assaltantes entraram e saíram em menos de três minutos, escapando pelos jardins, e que só não terão levado mais obras consigo porque o alarme da fundação disparou, levando à “pronta intervenção dos seguranças e da polícia local”, garante por seu lado a AFP, citando um comunicado da fundação.

De acordo com o diário espanhol El País, a investigação, ainda numa fase muito inicial, aponta para um assalto planeado ao pormenor. Os ladrões terão entrado sem grandes dificuldades e escolhido as obras dos três artistas expostas numa sala dedicada à pintura francesa, no primeiro andar do edifício.

A de Renoir é um óleo sobre tela e um dos poucos nas mãos de privados em Itália. A de Cézanne, embora seja uma obra sobre papel, é interessante por se tratar de uma natureza-morta de 1890, período fundamental na obra deste artista que tem um papel absolutamente crucial na arte que faz a transição do século XIX para o XX. A de Matisse, certamente a menos valiosa do conjunto, é uma gravura em água-forte representando uma das suas características, e sedutoras, odaliscas.

A fundação, que guarda uma das mais importantes colecções de arte privadas italianas, ainda não divulgou dados mais precisos quanto ao valor das três obras, mas, segundo a televisão britânica BBC, rondará os nove milhões de euros, devendo o Renoir ser responsável por dois terços deste montante.

A polícia de Parma, província em que se situa a propriedade onde estavam expostas, conhecida como Villa Magnani, está a trabalhar com a unidade central especializada em roubos relativos ao património cultural.

A Fundação Magnani Rocca foi criada em 1977 tendo por base o património de Luigi Magnani (1906-1984) e deve o seu nome aos pais deste compositor, crítico de música e coleccionador de arte, Giuseppe Magnani e Eugenia Rocca.

Algumas das obras do acervo guardado na fundação instalada na sua casa de família, a 20km de Parma, foram compradas por Magnani ao pintor Giorgio Morandi, de quem se tornou amigo, e outras foram-lhe oferecidas por este artista de Bolonha. A este núcleo ligado à amizade entre ambos, Magnani foi juntando outras aquisições até ao fim da vida.

A fundação conta também com obras de Goya, Ticiano, Dürer, De Chirico, Rubens, Van Dyck, Filippo Lippi, Carpaccio, Burri, De Pisis, Tiepolo, Canova, entre muitos outros.