Sergey Dolzhenko / EPA

Volodymyr Zelenskyy, presidente da Ucrânia
Dezenas de drones atacam noroeste da Rússia. Alguns caíram nos países bálticos. “Isto não é uma brincadeira”.
A Ucrânia tem estado a atacar a Rússia mas, nos últimos dias, centra-se numa zona da Rússia com a qual não faz fronteira: Kaliningrado.
O enclave russo fica a noroeste da Ucrânia, entre Lituânia e Polónia. Ao longo da última semana, drones ucranianos sobrevoaram os países bálticos em direção a Kaliningrado.
Alguns caíram mesmo nos países bálticos – que abriram o seu espaço aéreo ao trânsito de drones de ataque em território russo, disse na agência Tass o especialista militar Alexander Stepanov.
A agência RIA Novosti, que lembra que Lituânia, Letónia e Estónia estão a apoiar a Ucrânia na guerra com a Rússia, refere que há um “sonho” de Volodymyr Zelenskyy: abrir uma segunda frente de guerra contra Moscovo, cita a rádio Observador.
A ideia do presidente da Ucrânia seria desencadear um conflito directo entre a Rússia e a NATO.
Zelenskyy estará interessado em trazer de novo a atenção mediática para a Ucrânia, numa altura em que o mundo está preocupado e mais focado na guerra entre os EUA e o Irão.
O perigo destes ataques seria colocar a Rússia em guerra directa com os países bálticos, que têm ajudado a Ucrânia desde 2022.
E ainda há outro ponto: se as comunicações com Kaliningrado forem cortadas, a Rússia vai exigir à União Europeia e à Lituânia total liberdade de trânsito terrestre para Kaliningrado. Se tal não acontecer, a Rússia deve avançar com meios militares – ou mesmo armas nucleares.
“Isto não é uma brincadeira. A nova versão da doutrina nuclear russa inclui disposições directamente relacionadas com a garantia da segurança da região de Kaliningrado. O uso de armas nucleares passa a ser permitido em caso de ameaça à integridade territorial do país e de tentativa de isolar as suas regiões do resto do país por terra, mar e ar”, avisa a RIA.