As obras de José Saramago podem deixar de ser obrigatórias no 12.º ano. A proposta está em consulta pública até 28 de abril e faz parte da revisão das Aprendizagens Essenciais de Português, apresentada pelo Ministério da Educação. Até agora, os alunos tinham de ler, na íntegra, o Memorial do Convento ou O Ano da Morte de Ricardo Reis.
A relação entre PSD e Saramago é turbulenta desde que, em 1992, o subsecretário de Estado da Cultura do Governo liderado por Cavaco Silva vetou “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” para o Prémio Literário Europeu. Desde então, até Luís Montenegro já se envolveu em pequenas “polémicas” relacionadas com o Nobel da Literatura, que faleceu em 2010.
Em julho de 2025, em debate na Assembleia da República, o Primeiro-Ministro afirmou o seguinte: “Esta é uma Nação forjada na vontade de permanecer, no ímpeto de navegar contra o medo, na coragem de acreditar mesmo quando os ventos sopram de frente. Como escreveu Sophia [de Mello Breyner], ‘nós somos a memória que temos e a responsabilidade que assumimos’.”
Só há um problema: a frase não foi escrita por Sophia, mas sim por José Saramago nos “Cadernos de Lanzarote”. O único a apontar o erro foi Rui Tavares, porta-voz do Livre, mas Montenegro não aproveitou a ocasião para se corrigir… ou para completar a frase, que termina assim: “Sem memória não existimos. Sem responsabilidade talvez não mereçamos existir.”
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Avaliação do Polígrafo: