A Administração de Donald Trump instruiu, esta quarta-feira, a Embaixada dos EUA em Madrid a abrir uma investigação ao caso de Noelia Castillo, jovem de 25 anos que sofreu uma violação coletiva em 2022 e obteve recentemente autorização para ser eutanasiada. Após uma batalha legal com o pai, foi-lhe concedida essa vontade na passada quinta-feira.

Segundo um telegrama diplomático, ao qual o “New York Post” teve acesso, Washington exige esclarecimentos sobre a forma como o Estado espanhol tratou as sucessivas denúncias de abusos sexuais da jovem catalã. A mensagem enviada à embaixada questiona o facto de a jovem estar sob tutela do Estado no momento das agressões e de “nenhum responsável” ter sido “levado à Justiça”. Os EUA pediram aos funcionários que esclarecessem essas questões aos representantes do país até sexta-feira.

O episódio vem adensar a tensão entre o presidente norte-americano, Donald Trump, e o homólogo espanhol, Pedro Sánchez, que recusou a utilização das suas bases militares pelos Estados Unidos durante o conflito com o Irão.

Médica vai responder

A fundação ultraconservadora Advogados Cristãos, que representa o pai de Noelia Castillo, avançou com um processo contra a médica que processou o pedido de eutanásia, alegando má conduta e conflito de interesses, já que a profissional exerce também o cargo de coordenadora de transplantes. “Este caso coloca em xeque as garantias do sistema”, alegou o presidente da entidade.

Apesar das tentativas para travar o processo, os médicos concluíram que a jovem sofria de dores crónicas e incapacitantes.