As autópsias aos corpos de Angela Legobien, de 26 anos, e Audrey Cavalié, de 40, confirmaram o que as autoridades já desconfiavam. Cédric Prizzon, o alegado homicida, de 41 anos, asfixiou tanto a namorada como a ex-mulher até à morte.
De acordo com a Agence France-Presse (AFP), citada pela RTL, as perícias médico-legais, realizadas no Hospital de Bragança, revelaram que as vítimas morreram por asfixia, muito provavelmente através de um golpe mata-leão, uma técnica de estrangulamento realizada pelas costas, e já em Portugal.
Os corpos, encontrados enterrados na Serra da Nogueira, em Bragança, permanecem em território português, mais concretamente no Gabinete Médico Legal do hospital onde foram autopsiados.
Segundo a agência francesa, serão agora iniciados os procedimentos para a transladação dos restos mortais de Angela e Audrey. Ainda assim, isso poderá demorar uns dias até ficar concluído.
Já as crianças, de 18 meses e 12 anos, que foram encontradas vivas com o pai, no momento em que este foi detido, na semana passada, pela Guarda Nacional Republicana (GNR) em Mêda, na Guarda, continuam a cargo de uma instituição do distrito.
Ainda esta semana deverão ser repatriadas para França, de onde são naturais e onde serão institucionalizadas até que seja decidido se algum familiar tem condições para assumir a tutela dos meios-irmãos. Caso isso aconteça, o mais provável é que fiquem separados por terem família materna distinta.
Élio, o menino de 12 anos, filho de Audrey e Cédric, que assistiu aos crimes brutais praticados pelo pai, tem recebido apoio psicológico. Já Guiulya, de 18 meses, filha de Angela e do alegado homicida, tem sido levada às consultas e acompanhamento médico normais para a sua idade.
Deverá ser julgado em Portugal, onde cometeu os crimes mais graves
Ao que tudo indica, apesar de tanto o suspeito do duplo homicídio como as vítimas serem todas francesas e de os raptos terem ocorrido precisamente em França, Cédric Prizzon deverá ser julgado em Portugal, onde ocorreram os crimes mais graves – duplo homicídio e a ocultação dos dois cadáveres.
Em França, nem todos concordam com isso, como revelou Le Parisien. De acordo com o jornal francês, “embora Portugal tenha jurisdição para julgar Cédric Prizzon, visto que os assassinatos da companheira e ex-companheira provavelmente ocorreram no seu território, França deveria assumir a investigação do rapto das duas mulheres e crianças e do duplo feminicídio”.
Neste momento, o ex-polícia francês, que foi presente a primeiro interrogatório judicial na passada semana, Tribunal de Vila Nova de Foz Côa, encontra-se em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional da Guarda.
Está indiciado por oito crimes: um crime de sequestro, dois crimes de homicídio qualificado, dois crimes de profanação de cadáver, um crime de violência doméstica, um crime de falsificação de documentos e um crime de detenção de arma ilegal.
“É o país com menor número de polícias”, disse Cédric sobre Portugal
Na altura em que o crime foi descoberto, muitos se perguntaram porque é que Cédric Prizzon tinha escolhido Portugal para fugir.
O motivo pode ter sido explicado pelo próprio suspeito, anos antes dos crimes pelos quais se encontra agora detido.
Em 2022, revelou na terça-feira, 31 de março, o Centre Press, o francês explicou aos ex-colegas da Gendarmaria Nacional – órgão de polícia criminal francês semelhante à Guarda Nacional Republicana (GNR) – por que Portugal era, na sua opinião, o país ideal para onde fugir após um crime.
“Comecei a procurar países com o menor número possível de polícias e militares e sem reconhecimento facial”, revelou, acrescentando que “Portugal era a melhor opção” a esse nível.
E, em 2022, essa estratégia permitiu que estivesse em fuga com o filho mais velho durante dois meses. Nessa altura, viajou não só por Espanha, como “pela costa atlântica portuguesa”, com Élio e a namorada Angela, que agora acabou também por assassinar.
Apesar do plano ter resultado há três anos, desta vez, Cédric acabou detido no país onde pensava ser fácil manter-se em fuga.
Admite homicídios, mas garante que não foram premeditados
Ainda segundo a imprensa francesa, o ex-policia de Aveyron confessou ao juiz que o questionou durante o primeiro interrogatório judicial que matou as duas mulheres, mas negou qualquer premeditação nos crimes.
No entanto, pelo menos os raptos da ex-mulher e do filho mais velho, Élio, foram pensados ao pormenor. Consigo, quando foi apanhado pela GNR, Cédric tinha não só documentos e matrículas falsas, como 17 mil euros em dinheiro vivo e várias armas.
Além disso, era conhecido pelas autoridades por ser violento. Tinha sido expulso da polícia e não se inibia de partilhar vídeos nas redes sociais com as ameaças e perseguições à ex-mulher.
Cédric, já tinha, inclusive sido condenado pelo crime de violência doméstica. Mas não foi parado a tempo.
Laurent Alexandre, deputado de Aveyron, questionou mesmo o ministro da Justiça de França sobre “as falhas no sistema de proteção às vítimas” no país, após o duplo homicídio de Angela e Audrey.

Cédric Prizzon, o ex-polícia francês suspeito de matar a ex-mulher a atual namorada e enterrar os corpos em Portugal, já foi presente a primeiro interrogatório judicial. Após longas horas, o alegado duplo homicida ficou em preventiva.
Natacha Nunes Costa | 08:46 – 27/03/2026