O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, manteve esta quarta-feira uma conversa telefónica com o homólogo nepalês, Shisir Khanal, que apelou a que o governante tivesse em conta a situação de mais de dois mil nepaleses que se encontram em risco de expulsão, depois de terem sido alvo de uma burla com carimbos falsos.

“O ilustre ministro dos Negócios Estrangeiros, Shisir Khanal, manteve hoje uma conversa telefónica com o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros da República Portuguesa, Paulo Rangel. Nessa ocasião, o ministro Khanal solicitou ao seu homólogo português que reconsiderasse a situação de mais de 2.000 cidadãos nepaleses que enfrentam dificuldades processuais e legais em Portugal devido a carimbos falsos anexados nos seus documentos genuínos, particularmente Certificados de Registo Criminal, supostamente autenticados pelas Embaixadas de Portugal e do Nepal em Nova Deli”, apontou o Ministério dos Negócios Estrangeiros nepalês, em comunicado.

A mesma nota deu conta de que, além de ter agradecido “à comunidade nepalesa pela sua contribuição para a economia portuguesa”, Rangel garantiu que levantaria a questão “junto das agências competentes”, para que os casos dos cidadãos nepaleses afetados sejam “revistos com uma abordagem humanitária”.

“Durante a conversa, Rangel apresentou as suas calorosas felicitações ao ministro Khanal pela tomada de posse como ministro dos Negócios Estrangeiros do Nepal e expressou os seus melhores votos de sucesso para o seu mandato. Da mesma forma, ambas as partes manifestaram a sua satisfação pelo excelente estado das relações bilaterais e expressaram o seu empenho em reforçar ainda mais a cooperação bilateral entre os dois países em áreas como a energia hidroelétrica, a agricultura, o turismo, o desenvolvimento de infraestruturas e as tecnologias da informação”, complementou.

De notar que mais de dois mil imigrantes nepaleses que residem há anos em Portugal correm o risco de expulsão, em virtude de terem recebido carimbos falsos nos seus documentos genuínos. Segundo a CNN Portugal, o esquema fraudulento ocorreu em 2023 e 2024, altura em que não havia nem embaixada, nem consulado nepalês em Lisboa. Os imigrantes tinham, por isso, de solicitar os seus Certificados de Registo Criminal online e reencaminhá-los para a Índia, para serem carimbados pelas embaixadas de Portugal e do Nepal em Nova Deli. Nessa linha, muitos recorreram a um alegado agente, que cobrava 200 euros para acautelar o processo, na capital portuguesa.

O estabelecimento do suspeito, também ele nepalês, já fechou e trocou de proprietário. Aliás, os imigrantes acreditam que o homem foi detido pela Polícia Judiciária (PJ) há um ano, mas as autoridades não confirmaram a informação.

A Embaixada do Nepal em Lisboa já terá recebido cerca de 1.500 queixas e pedidos de ajuda, mas as vítimas serão pelo menos duas mil. Acresce que a Agência para a Integração Migrações e Asilo (AIMA) detetou, “até ao momento”, 2.800 casos de pedidos de residência com documentos com carimbo falso.

A PJ adiantou ao Notícias ao Minuto que o seu serviço de piquete em Lisboa, que é composto por quatro inspetores e um inspetor chefe, “tem vindo a rececionar, nas últimas três semanas, centenas de queixas apresentadas por cidadãos indostânicos por factos que, a serem comprovados, poderão consubstanciar a prática de crimes de falsificação e contrafação de documentos, burla e/ou auxílio à imigração ilegal”.

“Esta polícia tem feito um esforço no sentido de realizar o levantamento do maior número de queixas possíveis, atendendo à sua complexidade por via da barreira linguística, que tem vindo a dificultar a comunicação. Nesse sentido, a PJ tem recorrido a serviços de tradução em inglês e em hindi, por forma a agilizar todo o processo”, acrescentou.

Ainda assim, as autoridades frisaram que “a maioria destes cidadãos não vêm munidos da documentação necessária para apresentação da respetiva queixa”.

O Notícias ao Minuto contactou também o Ministério dos Negócios Estrangeiros, a AIMA e a Embaixada do Nepal em Lisboa, aguardando retorno.

[Notícia atualizada às 17h58 com declarações da PJ]

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Lusa | 07:46 – 05/03/2026