Sem esconder a sua frustração por não conseguir cumprir os objetivos da operação militar desencadeada no último dia de fevereiro — ainda que os mesmos mudem consoante o dia ou o funcionário da administração Trump —, Donald Trump terá dito ao seu círculo próximo que está disposto a terminar uma guerra impopular ainda que deixe o estreito de Ormuz à sorte do Irão, como adiantou o Wall Street Journal. Apesar de Trump ter há muito declarado vitória, nenhuma das opções em cima da mesa parecem positivas para o lado de Washington.

“A aposta do governo iraniano é que podem suportar mais dor por mais tempo do que os seus adversários, e podem estar certos”, disse Jon Alterman, do grupo de reflexão Center for Strategic and International Studies, com sede na capital dos EUA. Mas à Associated Press, funcionários da Arábia Saudita, dos Emirados, do Kuwait e do Bahrein transmitiram não querer que a operação militar termine até que se verifiquem mudanças de fundo na liderança iraniana ou uma mudança efetiva no comportamento do Irão.

Em conferência de imprensa, o secretário da Guerra norte-americano encontrou outro ponto no calendário do conflito depois de dizer que Donald Trump estava disposto a fazer um acordo, mas que os EUA estavam preparados para continuar a guerra. “Temos cada vez mais opções, e eles [Irão] têm menos… em apenas um mês estabelecemos os nossos termos, os próximos dias serão decisivos”, disse Pete Hegseth. “O Irão sabe disso, e quase nada pode fazer militarmente a esse respeito.”

Empresas tecnológicas são alvo

Se podem ou não, desconhece-se, mas para já fica a advertência: os Guardas da Revolução declararam como alvo as empresas de tecnologia dos EUA presentes na região e aconselharam os seus trabalhadores a abandonar os locais de trabalho, bem com os habitantes que sejam vizinhos dos seus escritórios. “Considerando que o elemento principal na conceção e localização de alvos de assassínios é constituído por empresas norte-americanas dos setores da tecnologia e da IA, em resposta a estas operações terroristas doravante as principais instituições envolvidas nestas operações serão alvos legítimos para nós”, lê-se no comunicado da organização. A partir das 20h desta quarta-feira, hora de Teerão, avisam os Guardas da Revolução, serão “aniquilados” os escritórios da Apple, Google, Meta, Microsoft, HP, Intel, IBM, Cisco, Nvidia e Oracle, mas o aviso foi ainda estendido à fabricante de automóveis Tesla, ao banco JP Morgan e à construtora aeronáutica Boeing.

Ainda na conferência de imprensa, Pete Hegseth responsabilizou outros países pelo facto de o Irão manter um bloqueio a navios de países considerados hostis em retaliação ao ataque israelo-norte-americano. Fez coro com Trump ao criticar o Reino Unido quando, ao referir-se a quem deveria assegurar a passagem no estreito de Ormuz, respondeu que “supostamente existe uma grande e temível Marinha Real”.

Isto no mesmo dia em que a presidência francesa se mostrou “surpreendida” pela mensagem de Trump em que criticou a França por se mostrar “muito pouco cooperativa” na guerra contra o Irão, ao proibir o sobrevoo do seu território por “aviões com destino a Israel carregados de equipamento militar”. O Eliseu disse “não ter mudado de posição desde o primeiro dia” da guerra. Em Roma, o governo de Giorgia Meloni também revelou ter proibido a aterragem de aviões de combate na base de Sigonella, na Sicília.

Plano sino-paquistanês

Reunidos em Pequim, os chefes da diplomacia da China e do Paquistão apresentaram um plano de paz de cinco pontos: cessação imediata das hostilidades, início de negociações, respeito pelos alvos não militares, segurança das rotas marítimas (leia-se Ormuz) e primazia pela Carta das Nações Unidas. Segundo o Canal 12 israelita, a Casa Branca disse não se opor a esta iniciativa diplomática.

Ataques a estruturas de saúde

O Irão queixou-se à Organização Mundial de Saúde pelos recentes bombardeamentos a um laboratório de produção de medicamentos anticancerígenos e outras substâncias especializadas, bem como ao hospital psiquiátrico Delaram Sina, recentemente inaugurado.

Costa falou com Pezeshkian

O presidente iraniano disse ao presidente do Conselho Europeu que o seu país tem a “vontade necessária” para pôr fim à guerra, desde que sejam dadas “garantias necessárias para impedir a repetição da agressão”, disse Masoud Pezeshkian. Já António Costa disse ter pedido o fim “aos ataques inaceitáveis contra os países da região” e que o Irão se envolva de forma construtiva no caminho diplomático”.