A chef algarvia Noélia Jerónimo, a multifacetada Joana Barrios e a chef pasteleira Lara Figueiredo entram num restaurante. Não é o início de uma anedota, mas a abertura de uma iniciativa especial: a segunda edição do Ladies Night Fest, o festival gastronómico que chegou à agenda em 2025 para “iluminar o talento feminino” na cozinha portuguesa. Encontram-se com uma quarta protagonista, Michele Marques, em Estremoz, na Casa do Gadanha. É o jantar que inaugura o alinhamento deste ano.

A rota “cresce na ambição” relativamente à edição de estreia, explica a nota de imprensa. Dos três jantares do ano passado (Casa de Chá da Boa Nova, em Leça da Palmeira; Boubou’s, em Lisboa; e Lamelas, em Porto Covo), aumenta para nove, com passagem por cinco cidades (o Porto domina a rota) e a participação de “mais de 30 chefs, chefs de pastelaria, sommeliers, produtoras de vinho e não só”, enumera a organização. Entre esses nomes estarão Marlene Vieira (Marlene, Lisboa) e Angélica Salvador (In Diferente, Porto), as únicas mulheres à frente de restaurantes com estrela Michelin —, bem como Rita Magro, Lídia Brás, Aurora Goy ou Catarina Castro Correia.

A receita é simples: quatro mulheres, na cozinha comandada por uma delas, combinam a sua criatividade e experiência para criarem e prepararem “um menu único e original”, num festim nutrido por outras especialistas. “No ‘palco’ são as mulheres que brilham”, assinala a organização; comensal pode ser qualquer pessoa, assim queira reservar lugar (as inscrições fazem-se directamente através dos contactos dos restaurantes).




As chefs anfitriãs desta segunda edição: Lídia Brás, Caroline Giandalia, Rita Magro, Rafaela Ferreira, Marlene Vieira, Mónica Gomes, Angélica Salvador, Julie Marteleira e Michele Marques
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A 18 de Abril, Michele Marques, a chef carioca que trocou o Brasil pelo Alentejo já lá vão mais de duas décadas, abre a sua Casa do Gadanha à experiência inaugural. São servidas iguarias da sua autoria, como o croquete de borrego com maionese de alho assado ou o pastel de cação com molho de coentros, e criações alheias como a sopa de peixe de Noélia Jerónimo, o ensopado de Borrego “à la” Barrios ou, para sobremesa, gelado e pipocas de porco alentejano ou o cremoso de gengibre da lavra de Lara Figueiredo. Outra figura feminina em cena é Zoe Graham, da Churchill’s, que contribui com a carta de vinhos do Douro e Porto. A harmonização está incluída no valor total, de 85€ por pessoa (reservas@casadogadanha.pt).

Na sexta-feira seguinte, 24 de Abril, o Ladies Night Fest ruma ao Porto, cidade que arrebata cinco dos nove jantares programados. O palco é o In Diferente, onde Angélica Salvador, a primeira brasileira a conquistar uma estrela Michelin em Portugal, acomoda um jantar proporcionado pelas convidadas Catarina Castro Correia (Casa de Chá da Boa Nova), Rafa Louzada (Time Out Market Porto) e, na pastelaria, Ana Sofia Macedo (Vinha Boutique Hotel).


O festival mantém-se na Invicta para o passo seguinte, a 3 de Junho, em direcção ao Bondlair Bistrô de Lídia Brás. Cúmplices: Marlene Vieira (Zunzum Gastrobar, onde ela própria será anfitriã de um jantar, meses mais tarde), Rita Gomes (O Forno de Jales) e Inês Diniz (Casa Inês). A 9 de Julho, é a vez do Olaias, no Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz, onde Mónica Gomes acolhe Aurora Goy (Apego), Francisca Dias (Esteva) e Fernanda Ferrão (MA Restaurante).


Depois de uma pausa para banhos, as ementas especiais continuam a ser servidas no Outono: 10 de Outubro no Gruta (Porto), aos cuidados de Caroline Giandalia; 23 do mesmo mês no Alta (Lourinhã), com Julie Marteleira; 6 de Novembro no Atrevo (Porto), com Rita Magro; 26 no Zunzum Gastrobar (Lisboa), com Marlene Vieira; e 5 de Dezembro mais uma vez no Porto, no Exuberante, com Rafaela Ferreira.


Os menus, os programas de animação, os preços e outros pormenores vão sendo desvendados ao longo do ano. Para não perder pitada (ou lugar), recomenda-se atenção às redes sociais do festival. Certo é que os holofotes incidem sempre sobre o talento feminino e vão para além dos pratos, seja nos cocktails saídos da Casa Cachaça, de Raquel Lopes; nos talheres produzidos pela Belo Inox, liderada por Raquel Castro; ou nas fardas da Prochef, empresa vila-condense fundada por Orquídea Silva que veste alguns dos mais conhecidos chefs de cozinha da nossa praça.


O crescimento do festival era imperativo “para acompanhar a explosão de talento feminino na gastronomia nacional”, frisa Nelson Marques, escritor, curador gastronómico e seu criador. É uma ambição que não se limita ao número de refeições, locais e intervenientes. “Quisemos também tornar o evento mais democrático”, assinala. Haverá “não só jantares com propostas de cozinha criativa, mas também opções de cozinha mais casual e acessível a mais pessoas”, adianta. Assim se alimente a inversão do chavão sexista e se reforce que o lugar delas é mesmo na (alta) cozinha.