As Galerias dos Uffizi (ou Galerias dos Ofícios), em Florença, foram alvo de um grave ciberataque no início do ano que obrigou a desencadear medidas de emergência, incluindo a transferência de jóias valiosas para as instalações do Banco de Itália, reportou o diário Corriere della Sera esta sexta-feira.

A notícia não foi oficialmente confirmada pelo segundo museu mais visitado de Itália, com receitas anuais de 60 milhões de euros. O seu director, Simone Verde, não se mostrou disponível para comentar, embora tenha assumido que alguns sistemas administrativos da instituição foram de facto atingidos.

O Ministério da Cultura e o gabinete de imprensa da polícia italiana também não responderam aos pedidos de comentário daquele jornal.

Segundo o Corriere della Sera, no final de Janeiro ou no início de Fevereiro a rede do museu foi infiltrada por hackers, que conseguiram aceder aos servidores dos Uffizi, do Palazzo Pitti e dos Jardins Boboli.

Os atacantes terão alegadamente esvaziado alguns dos servidores e pedido um resgate ao director Simone Verde, através do seu telemóvel pessoal. Entre os conteúdos a que conseguiram acesso estariam códigos de entrada, passwords, sistemas de alarme e mapas internos.

Ainda segundo o jornal, as peças mais valiosas do Tesouro dos Grão-Duques, alojado no Palazzo Pitti, a antiga residência da família Medici, foram transferidos para o Banco de Itália, como medida de precaução, e algumas portas e saídas de emergência foram seladas.

O site oficial das Galerias dos Uffizi informa que, para efeitos de obras de manutenção extraordinárias, o Tesouro dos Grão-Duques no Palazzo ‌Pitti vai estar fechado de 3 de Fevereiro passado até data indeterminada, sem adiantar mais detalhes.

Os hackers também terão roubado, segundo o Corriere della Sera, o arquivo digital integral do departamento de fotografia, que contém imagens e documentos reunidos ao longo de várias décadas.

As Galerias dos Uffizi são a casa de algumas das maiores obras-primas da arte italiana, incluindo o Nascimento de Vénus, de Botticelli, e a Sagrada Família de Miguel Ângelo.

Em Outubro passado, também o Museu do Louvre, em Paris, foi alvo de um assalto. As jóias então roubadas continuam desaparecidas.

Já na madrugada de 23 de Março, três pinturas dos mestres franceses Pierre-Auguste Renoir, Paul Cézanne e Henri Matisse foram roubadas da Fundação Magnani Rocca, situada em Mamiano di Traversetolo, no Norte de Itália.