Para chegar ao reino de Frozen é preciso atravessar o parque todo, mas as indicações não serão necessárias porque assim que sair do World Premiere — é obrigatório passar por esse edifício repleto de lojas e zona de restauração para chegar às atrações—, vai ver o pico da montanha do Norte lá ao fundo, depois de uma nova avenida e de um novo e gigantesco lago.

Chama-se Adventure Way e passa a ser a espinha dorsal de todos os espaços deste parque. Vai da entrada principal ao lago, tendo à direita Worlds of Pixar (com atrações de Toy Story e Ratatui), à esquerda Marvel Avengers Campus (Vingadores, Homem-Aranha) e em frente o World of Frozen.

“Até aqui, as pessoas entravam e eram logo confrontadas com o fim do parque. Não era o fim físico, mas não dava para caminhar para lá disso. Agora, a paisagem é completamente diferente e é a constatação de que o parque mudou realmente para se tornar muito maior. Era um parque muito compacto”, explica Michel den Dulk.

As árvores que acompanham toda a avenida estão a mostrar as primeiras folhas. “Imaginem daqui a cinco ou seis anos, quando as árvores já estiverem mais crescidas, vai ficar lindíssimo.”

Na verdade, o percurso é já muito agradável, com candeeiros clássicos, arcos e bancos de jardim para descansar dos dois lados e a sensação de espaço — nem sempre possível num local onde as pessoas passam horas amontoadas em filas. À noite, centenas de luzes tornam o espaço ainda mais mágico, também graças à banda sonora composta por Philippe Rombi especificamente para o local. Gravada nos estúdios Abbey Road, é a primeira banda sonora original para uma área temática na Disneyland Paris desde 1995. E ainda há uma curiosidade mais especial. “Pedi [ao Philippe Rombi] porque queria acrescentar um toque francês à qualidade da banda sonora e da experiência. Mas, o que eu não sabia é que a história dele estava ligada à Disneyland Paris”, conta Michel den Dulk ao Observador.

O compositor, responsável por bandas sonoras de filmes como Astérix: O Segredo da Poção Mágica (2018) e Bem-vindo ao Norte (2008), foi até aos parques para as conversas iniciais e revelou que aquela estava longe de ser a primeira visita dele. “Ele disse: ‘Sabem, eu comecei a minha carreira aqui, era pianista residente no Disneyland Hotel quando abriu em 1992’. Eu não sabia, mas achei que era perfeito, como um círculo fechado.

Durante o dia há muita coisa a acontecer naquele que é agora “o centro da aventura”, como descreve Dana Harrel, vice presidente da Disney Live Entertainment. “Quisemos criar um dia cheio de entretenimento.”

Várias vezes por dia (os horários podem variar, convém consultar a app), a Adventure Way é invadida por Minnie e sua banda de música. Todos os temas tocados são reconhecíveis, mas o que talvez não detete logo é que nada na sequência é aleatório. “Quando passa pelo campus dos Vingadores, tocam música dos Vingadores; quando passam pela Pixar, tocam temas da Pixar. É tão bem pensado que nem damos por isso, porque estamos simplesmente a divertir-nos com a música”, conta Dana Harrel ao Observador.

Mesmo antes de alcançar o lago, do lado direito da Adventure Way está Raiponce Tangled Spin, uma outra versão das chávenas giratórias que existem na Disneyland Paris — que, segundo um estudo de 2025 da SETEC (Sociedade de Estudos Técnicos e Económicos) é o destino turístico número um da Europa. Aqui há gôndolas, feitas à imagem daquelas que aparecem em Entrelaçados e, se olhar para cima, verá inúmeras lanternas coloridas que se iluminam à noite. Do lado esquerdo ainda só vai ver uma vedação que esconde um edifício em construção — mas fica já a garantia de que ali está a nascer uma atração dedicada a Up: Altamente (será a primeira dedicada a este filme em qualquer parque da Disney), mas um pouco mais à frente está um coreto onde Rapunzel e companhia passam algumas vezes por dia para cantar e dançar durante cerca de dez minutos. Do lado direito do lado, antes da ponte que dá acesso a Arendelle, o Mickey está à espera para tirar fotos.

Terminado o passeio pela Adventure Way, temos agora à nossa frente o lago a que chamaram Adventure Bay. Há inúmeros bancos e muitas árvores que vão tornar-se abrigos cada vez mais apetecíveis com o passar do tempo. Há gazebos clássicos e intrincados e vários níveis ao longo do lago, perfeitos para que toda a gente consiga ter visibilidade sobre o espetáculo noturno. Na água do lago estão refletidas todas as silhuetas de Arendelle, tanto durante o dia, como à noite.

É aqui que todas as noites acontece o Disney Cascade of Lights — acontece à mesma hora do Disney Tales of Magic, projetado no castelo do parque Disneyland, portanto será preciso escolher. Inclui pirotecnia, projeções, repuxos e chamas muito próximos das pessoas, além de 350 drones — 100 dos quais deslocam-se na água. “É, não só um feito tecnológico, mas também um feito criativo”, descreve Dana Harrel. “É uma história muito bonita que convida as pessoas a encontrarem a força interior.” Para ajudar chegam Mulan, Vaiana, Hércules e os Vingadores, refletidos em imagens coloridas projetadas em cortinas de água que se erguem do lago ou construídos no céu numa coreografia de drones. A banda sonora original, You Can Be a Hero, termina com um majestoso fogo de artifício.

É difícil estar mais próximo de um espetáculo, é possível assistir mesmo na margem do lago e o facto de as projeções se repetirem a 360º permite que ninguém precise de estar em cima de ninguém para ver tudo. Ainda assim, os mais prevenidos podem aceder a uma área reservada, sendo que a entrada começa nos 24€.