O dono da banca convida-nos a passar os olhos pelo desfile de peixes que repousam entre placas com números, à espera de vez para entrarem num saco. O quilo de pregado custa 21,90 euros, a garoupa 20 euros, o robalo grande 17,90 euros e a dourada do mar 12 euros. “O peixe está muito caro, o carapau era o peixe dos pobres e agora só para ricos. Vê aquelas douradas a 20 euros? Quando comecei neste trabalho há 25 anos vendia-as a quatro euros”, recorda Sérgio Martins.

Por estes dias, o negócio vai-se fazendo com dificuldade e estratégia, numa fina ginástica de preços que, se não for meticulosamente pensada, pode ser fatal. “As pessoas correm o mercado todo por uma diferença de 20 cêntimos, é o suficiente para desistirem de comprar aqui e irem à banca do lado. É duro, vamos tentando engraxar a clientela para levar isto para a frente”, confessa o vendedor.

O quadro não é recente e os custos já começaram a pesar no ano passado. A subida da inflação, agora somada ao aumento do preço dos combustíveis têm feito escalar a fatura e afastado fregueses. “Muitos chegam aqui, olham e vão-se embora. Coitados, não podem comprar. Alguns mandam pesar o peixe, veem o preço e depois dizem que não podem comprar e para eu não levar a mal. Claro que não levo a mal, como é que se vive hoje a pagar renda, contas e com a alimentação tão cara? Não dá”, constata.

A alternativa é refrear o consumo, mas na hora de escolher o que colocar no prato, é imperativo encontrar soluções. “As pessoas não levam para grandes refeições. Três carapaus não dão para uma família. Se for ali ao talho compro um franguinho de quilo e meio, corto aos bocadinhos e faço uma jardineira. Já rende mais”, compara.

É preciso apenas meia dúzia de passos para chegar ao Talho 25. O frango está marcado a 3,58 euros, confirmando o argumento do vizinho de mercado. Por aqui, é a carne mais vendida, seguindo-se o peru. O porco “ainda está a um preço razoável”, ao contrário das peças de vaca que já pouco saem. Os preços mais em conta face ao peixe têm ajudado as vendas a manter-se à tona, mas o cinto, para quem chega, está apertado.