A celebração primaveril “Kanamara”, perto de Tóquio, reúne pessoas com trajes coloridos que carregam um trio de objetos gigantes em forma fálica enquanto desfilam pelas ruas com alegria.

Segundo a lenda, o festival homenageia um ferreiro local do Período Edo (1603-1868) que forjou um dildo de ferro para derrotar um demónio que habitava a vagina de uma mulher que castrava jovens na noite de núpcias.

Hoje, um falo de aço preto com um metro de altura encontra-se no pátio do Santuário de Kanayama, em honra das divindades xintoístas da fertilidade, do parto e da proteção contra infeções sexualmente transmissíveis.

Ao longo dos séculos, as profissionais do sexo peregrinaram até ao santuário em busca dos seus alegados poderes de proteção, antes de o festival evoluir para um ritual de fertilidade mais abrangente, com o objetivo de quebrar o estigma do sexo.

Foto: Andrew Caballero-Reynolds / AFP

“Espero que o festival ajude a desmistificar a ideia de que o sexo é algo mau e obsceno”, afirmou Hiroyuki Nakamura, sacerdote-chefe de um santuário que organiza o festival, à AFP.

Em fevereiro, dados preliminares divulgados pelo Ministério da Saúde revelaram que a taxa de natalidade do Japão tinha registado uma queda pelo décimo ano consecutivo em 2025.

Nesse ano, nasceram no Japão um total de 705.809 bebés, o que representa uma descida de 2,1% em relação a 2024.

Os dados incluem nascimentos de cidadãos japoneses no Japão, de estrangeiros no Japão e bebés nascidos de cidadãos japoneses no estrangeiro.

O evento anual, de espírito aberto e inclusivo, atrai desde turistas a famílias com crianças e apoiantes da comunidade LGBTQ.

“Parece que é mais do que apenas sexo por diversão. Há toda uma compreensão por trás disso”, notou Jimmy Hsu, de 32 anos, um turista de São Francisco, à AFP, referindo-se ao tema subjacente da fertilidade do evento.