
Os resíduos de centenas participantes do festival Boomtown, no Reino Unido, foram usados para produzir 540 litros de fertilizante — que vão ajudar a criar uma floresta no Paíse de Gales.
Uma equipa de cientistas vai plantar 4.500 árvores num parque nacional com a ajuda de um fertilizante feito a partir da urina dos espetadores que marcaram presença no festival Boomtown.
O fertilizante foi criado pela startup britânica NPK Recovery, sediada em Bristol, que ligou a sua unidade a um bloco de sanitários utilizado por 700 participantes no festival, que decorreu em Hampshire, em julho do ano passado.
Durante a edição de 2025 do evento, a urina foi transformada em 540 litros de fertilizante, que será agora usado para fazer crescer árvores autóctones, como a faia, na orla de Bannau Brycheiniog, também conhecida como Brecon Beacons, no País de Gales. Ao longo do projeto, que terá a duração de três anos, será também utilizada urina proveniente de outras origens.
Na manhã de quinta-feira, foi plantada no local uma semente de pinheiro-silvestre para assinalar o arranque da iniciativa, conta o The Guardian.
Segundo Lucy Bell-Reeves, cofundadora da NPK Recovery, os ensaios já realizados demonstraram que o fertilizante da empresa é tão eficaz como as alternativas habitualmente utilizadas.
Este será o primeiro projeto em que o produto será testado em árvores. “Usar um resíduo para fazer crescer árvores é uma solução circular que pode revitalizar as nossas espécies autóctones em dificuldade”, afirmou.
“Temos de deixar de deitar pela sanita abaixo nutrientes que servem para cultivar alimentos e fazer crescer árvores, e começar a utilizá-los para reforçar a nossa segurança em matéria de fertilizantes. Afinal, parece que não vamos ficar sem urina tão cedo”, acrescentou Bell-Reeves.
“Gosto da ideia de que, no final deste projeto de três anos, os festivaleiros terão ajudado a criar uma jovem floresta galesa, que poderá prosperar durante centenas de anos”.
Em abril do ano passado, a empresa recolheu 1.000 litros de urina em urinóis femininos na Maratona de Londres, que depois foram transformados em fertilizante.
A empresa recorre a bactérias para recuperar azoto e outros nutrientes naturalmente presentes na urina, criando um fertilizante líquido sem odor. A NPK Recovery leva um laboratório móvel para os eventos, o que permite transformar a urina em fertilizante no próprio local.
No âmbito do projeto galês, a empresa estabeleceu uma parceria com a instituição de solidariedade Stump Up For Trees, cofundada pelo autor e ciclista Rob Penn.
Nos últimos cinco anos, a organização plantou mais de 500.000 árvores na região, e chegou a meio caminho do seu objetivo de um milhão, com vista à recuperação da paisagem.
“Estamos muito entusiasmados por participar neste projeto pioneiro, que tem implicações para o futuro da silvicultura sustentável”, afirmou Penn.
“Para uma pequena organização como a nossa, a colaboração é essencial, e estamos muito satisfeitos por trabalhar com a NPK Recovery, que está a trazer inovação a um setor da indústria que bem precisa dela”, concluiu.