Crude sobe ligeiramente com “traders” a pesar possível escalada da guerra contra negociações
Os preços do petróleo estão a oscilar sem grandes alterações nesta manhã, enquanto os “traders” acompanham as notícias sobre um possível pedido de cessar-fogo no Médio Oriente por parte do Irão, enquanto um novo ultimato do Presidente Donald Trump a Teerão também marca a agenda.
Em Londres, o Brent do Mar do Norte, que é a referência para as importações europeias, avança 1,08% para 110,21 dólares por barril. Já o West Texas Intermediate (WTI), “benchmark” para os Estados Unidos (EUA), segue a somar 0,20% para 111,86 dólares.
Os EUA, o Irão e mediadores regionais estarão a discutir os termos de uma potencial pausa de 45 dias na guerra, segundo informou a Axios, citando fontes com conhecimento das negociações.
No fim de semana, Trump ameaçou, numa série de publicações nas redes sociais, levar o “inferno” ao Irão com ataques a centrais elétricas e outras infraestruturas caso o estreito de Ormuz não fosse reaberto. Mas Teerão tem rejeitado repetidamente as exigências norte-americanas, e a rota marítima permanece, na prática, fechada, exceto a um pequeno número de embarcações.
Ainda assim, o Irão anunciou no sábado que o Iraque estaria isento das restrições impostas pelo país à navegação pelo estreito, o que poderá permitir um aumento dos carregamentos de petróleo.
E refletindo a agitação que tem levado a uma escalada dos preços da energia nos mercados internacionais, a Arábia Saudita decidiu elevar o preço do seu principal tipo de petróleo destinado à Ásia para um nível recorde. A Saudi Aramco aumentará os preços do crude conhecido como Arab Light, para venda em maio, para um prémio de 19,50 dólares acima dos índices de referência regionais, de acordo com uma lista vista pela Bloomberg.
Já pelos EUA, Trump disse que planeia realizar uma conferência de imprensa esta tarde, que será seguida com atenção pelos mercados. A 26 de março, Trump deu ao Irão um prazo de 10 dias para reabrir o estreito de Ormuz – e este ultimato expira nesta terça-feira à noite.
“À primeira vista, a guerra entrou noutra fase de escalada acentuada”, afirmou à Bloomberg Vandana Hari, fundadora da Vanda Insights. Ainda assim, “a expectativa de uma correção de preços massiva e rápida no caso de uma resolução cria uma hesitação em aumentar demasiado as posições longas nesta fase”, acrescentou.
Nesta medida, os investidores têm-se mostrado nervosos com as mensagens frequentemente contraditórias de Trump sobre o conflito, com o líder norte-americano a oscilar entre afirmações de que a guerra terminará em breve e ameaças de intensificar os ataques, incluindo contra infraestruturas civis.