No primeiro de cinco dias na Região Centro, altamente afetada pelo mau tempo, o presidente da República pretende mostrar o que está atrasado e acelerar os apoios aos municípios. O primeiro tema a suscitar a intervenção de Seguro foi o pedido de reabertura da Estrada Nacional 2, em Pedrógão Pequeno. Na estrada para a Sertã, o chefe de Estado parou o carro para ouvir um grupo de cidadãos que o esperavam com uma tarja onde se lia: “Senhor presidente, precisamos de ajuda. A N2 é a nossa sobrevivência”.

“Este é o único acesso entre margens para aqueles que usam ciclomotores, motorizadas, veículos sem carta e tratores. O outro acesso alternativo é o IC8, mas estes condutores não o podem utilizar e são o grosso da população destas localidades”, denunciou Luís Dias, empresário do ramo do turismo na vila, que considera que o encerramento deste troço está a castrar a região.

De acordo com Luís Dias, as entidades competentes encerraram a estrada com base no perigo de derrocada e queda de pedras, desde a passagem da tempestade Kristin. No entanto, acredita que este “não é um perigo maior do que sempre existiu”. “Dizem que é preciso fazer uma grande obra de sustentação dos taludes e das encostas e que isso está a ser estudado. Ou seja, este ano não abre, o que nos prejudica imenso e quisemos pedir ao senhor Presidente da República para que interceda e que esta estrada abra imediatamente”, indicou.

Também o presidente da Câmara Municipal da Sertã, Carlos Miranda, alertou que esta via, da responsabilidade da Infraestruturas de Portugal, é de “extrema importância para o desenvolvimento económico” da vila de Pedrógão Pequeno. “A Nacional 2 é um ativo económico muito importante. Queremos é que haja uma solução rápida para esta situação e a população organizou-se espontaneamente para fazer chegar estas suas preocupações”, disse.

Férias nas “paisagens bonitas do Interior”

Seguro ouviu as queixas e prometeu levar o assunto à reunião semanal com o primeiro-ministro, que se realiza na terça-feira, em Tomar, município que servirá de “quartel-general” da Presidência Aberta até sexta-feira. “Esta minha Presidência Aberta tem este duplo sentido, o de verificar as coisas que estão ainda muito atrasadas e a testemunhar muitas delas que estão a avançar e que estão a reerguer. Eu venho aqui ouvir para depois falar e sobretudo venho ver o que correu bem, o que correu mal, os apoios que estão a chegar, os apoios que estão a tardar”, disse mais tarde aos jornalistas, no final de uma visita às obras de recuperação do Hotel Montanha, na Sertã, o primeiro ponto de agenda.

Seguro deixou “uma palavra de esperança” e mostrar “esta tragédia não é mais forte” que a “convicção, energia e crença neste país e nestes territórios”. “Deixo um apelo a todos os portugueses, na altura de marcarem as suas férias, que possam ter em conta que um fim de semana ou uma semana nestas bonitas paisagens do Interior é uma ajuda e um estímulo e uma expressão de solidariedade por quem tanto sofreu há cerca de dois meses atrás”, apelou.

O chefe de Estado garantiu que o “propósito é de fazer acelerar os apoios para que eles possam chegar o mais rapidamente possível”. “E também estimular a recuperação e, sobretudo, dar garantias às pessoas de que elas são ouvidas para que os seus problemas possam ser resolvidos”, comprometeu-se.


António José Seguro visitou também o parque de campismo de Oleiros (Fotos: Adelino Meireles)

Durante esta segunda-feira, Seguro visita ainda os concelhos de Oleiros, Proença-a-Nova e Vila de Rei, no distrito de Castelo Branco, terminando o dia em Tomar, no distrito de Santarém.