Ainda o primeiro ponto da agenda do presidente da República não tinha tido início e já António José Seguro encontrava os primeiros sinais de protesto contra a morosidade nas reparações dos danos causados pelo comboio de tempestades de fevereiro.
Esta segunda-feira de manhã, em Pedrógão Pequeno, concelho da Sertã, no coração ferido do distrito de Castelo Branco, fez uma paragem fora do roteiro oficial da sua primeira Presidência Aberta, quando se cruzou com cerca de três dezenas de locais que o aguardavam com um grande cartaz que lhe pedia atenção. Queriam alertar para o corte de 1,5 quilómetros da Estrada Nacional 2 que, como explicou ao JN Luís Dias, o dinamizador do grupo, “prejudica toda a dinâmica de uma freguesia que continua a sentir na pele os efeitos do mau tempo”.
Seguro saiu da viatura, dirigiu-se aos queixosos e escutou-os, atento e sem olhar para o relógio. Saiu dali a prometer dar conta do problema na reunião semanal com o primeiro-ministro, marcada para na terça-feira, em Tomar. Será a primeira vez que o chefe de Estado confrontará Luís Montenegro com este e outros relatos que, depois, foi sabendo na primeira pessoa de quem, praticamente dois meses depois, continua sem respostas para retomar a normalidade possível.

O presidente lembrou as suas origens – “também sou do Interior e sei bem o quanto um problema pode demorar a ser resolvido” -, garantiu ação e apelou a “respostas rápidas”. Demorou-se com autarcas, com empresários, com populares. Preocupou-se em perceber como se vivem os dias depois da tormenta. “Como vão as coisas? Melhores?”. Pareceu mantra, tantas foram as vezes que assim questionou quem com ele se foi cruzando.
“Acelerar apoios para que cheguem mais rapidamente e estimular a recuperação”, foi uma das garantias mais vincadas pelo chefe de Estado. Que sublinhou ser o porta-voz “daqueles que não conseguem ser ouvidos” ao mais alto nível. “O presidente da República tem a responsabilidade de cooperar com todos os órgãos de soberania para encontrar soluções”, lembrou. “Perceber a dor agreste das pessoas e ouvir-lhes os problemas que persistem depois de o temporal ter saído da agenda mediática”, explicou.
Férias cá dentro
Foi também em Pedrógão Pequeno, após visitar as obras de recuperação do Hotel Montanha – que acumulou um milhão de euros de prejuízo provocado pela intempérie – que fez um apelo especial: “Peço aos portugueses que passem uns dias de férias nesta região do Interior”.

Pouco depois, no Parque de Campismo de Oleiros, que ficou quase despido de árvores, tamanha a força da ventania de fevereiro, António José Seguro elogiou a coragem de quem reabriu o negócio e procurou seguir em frente depois dos dias difíceis. Sentou-se à conversa numa tenda com campistas vindos de Torres Vedras, fez confissões (em bom castelhano) a um casal espanhol que ali estacionou a autocaravana. “A primeira visita oficial, que farei em breve, será a Espanha”, disse-lhes.
Também entrou terreno dentro. Como no Parque Empresarial de Proença-a-Nova, onde durante a campanha eleitoral para as eleições presidenciais deixou garantias de regresso. “Foi aqui que prometi que voltaria para ver se os apoios chegaram. Aqui estou”, disse. Ficou a saber que foi do bolso próprio dos empreendedores que a recuperação se foi fazendo sem ajudas, por exemplo, do Banco de Fomento, como lhe foi explicado. Esta terça-feira, o dia será dedicado aos que, no distrito de Santarém, viram a vida prejudicada pelas tempestades.