Uma cidade italiana votou pela proibição do aluguer de trotinetas elétricas, no final do ano passado, devido a preocupações com a segurança. A medida está em vigor desde o dia 1 de abril de 2026.

Em Itália, Florença decidiu proibir o aluguer de trotinetas elétricas, devido a preocupações com a segurança. A decisão do conselho municipal termina a colaboração com empresas de partilha de trotinetas, que funcionava como um projeto experimental renovado duas vezes desde o seu lançamento há cinco anos.

Segundo o conselho municipal de Florença, a medida deve-se a questões de boa conduta e segurança rodoviária, incluindo a dificuldade em fazer cumprir a lei que exige o uso de capacete pelos utilizadores.

Afinal, conforme recordado, sob a liderança do antigo presidente da Câmara, Dario Nardella, em 2021, a cidade tentou tornar obrigatório o uso de capacetes para utilizadores de trotinetas elétricas, mas a ordem foi anulada pelo tribunal administrativo regional.

Agora, a cidade sublinhou que a proibição visa evitar uma “potencial violação sistemática do Código da Estrada, inaceitável para a segurança urbana e rodoviária”, apontando, também, problemas recorrentes como estacionamento indevido e circulação em sentido contrário, em passeios, zonas restritas ou faixas de autocarros e táxis.

Paralelamente à eliminação das trotinetas elétricas de aluguer, Florença está a reforçar o seu serviço de partilha de bicicletas, que registou mais de 1,5 milhões de alugueres em 2024 e um crescimento de 18% nos primeiros meses de 2025, aumentando o número de bicicletas em circulação.

Estamos a trabalhar arduamente na segurança rodoviária, que tem sido sempre uma prioridade para nós, e estamos a usar todos os recursos de que dispomos para a garantir.

Afirmou a presidente da Câmara de Florença, Sara Funaro, num comunicado, em novembro.

Assim, depois de Paris, Madrid e Praga, Florença é a mais recente cidade europeia a proibir trotinetas elétricas de aluguer.

Trotineta elétrica

Uso de trotinetas elétricas em Portugal

Num contexto em que as trotinetas elétricas de aluguer são vistas e implementadas como uma solução de mobilidade urbana rápida e conveniente, dados da Guarda Nacional Republicana (GNR), divulgados em março, mostram que estes veículos destinados à micromobilidade representam um risco significativo nas estradas portuguesas.

Entre 2019 e 2025 foram registados cerca de 1900 acidentes a envolver trotinetas elétricas na via pública, que resultaram em 10 vítimas mortais, 88 feridos graves e 1442 feridos ligeiros, sendo 2024 o ano com mais ocorrências, com 706 acidentes.

Só nos primeiros dois meses de 2026 já foram contabilizados 72 acidentes relacionados com micromobilidade, um sinal de que a sinistralidade continua elevada.

Segundo a GNR, as causas mais frequentes são as seguintes:

  • Circulação em locais proibidos;
  • Desrespeito pela sinalização;
  • Falta de equipamentos de proteção, como o capacete.

Estes fatores evidenciam os perigos que trotinetas elétricas partilhadas podem representar tanto para os seus utilizadores como para outros utentes da via pública.

Por isso, numa nota, a GNR lembrou, recentemente, que as trotinetas elétricas são equiparadas a velocípedes, devendo os seus utilizadores cumprir as regras estabelecidas no Código da Estrada.

A par disso, recomendou:

  • Uso de capacete, embora este não seja obrigatório para todas as trotinetas;
  • Uso retrorrefletor;
  • Que os utilizadores verifiquem se o veículo possui luzes brancas à frente e vermelhas atrás.