Geoff Welding / Waitrose Cheadle Hulme / Wikimedia

Walker Smith tinha instruções para não abordar ladrões. Waitrose justifica: enfrentar suspeitos pode colocar vidas em risco.
Um funcionário da cadeia britânica Waitrose foi despedido depois de tentar impedir o furto de ovos de Páscoa numa loja do sul de Londres.
A história foi relatada pelo The Guardian e tem como protagonista Walker Smith, de 54 anos, que trabalhava há 17 anos numa loja da marca em Clapham Junction.
Smith contou que foi alertado por um cliente para a presença de um homem que estaria a encher um saco da Waitrose com ovos de chocolate Lindt Gold Bunny. O funcionário disse ter reconhecido o suspeito como reincidente e decidiu intervir.
Agarrou no saco, o alegado ladrão puxou-o de volta e seguiu-se um breve confronto físico, durante o qual o saco se rasgou e os ovos caíram no chão. Um deles partiu-se.
Smith admitiu depois ter atirado um pedaço do chocolate, num gesto de frustração, embora tenha assegurado que não o dirigiu ao suspeito.
O trabalhador afirmou que já tinha sido instruído a não abordar ladrões, mas justificou a reacção com o cansaço acumulado após anos a assistir, quase diariamente, a furtos dentro da loja.
Segundo o seu testemunho, a segurança no estabelecimento tinha sido reduzida, deixando funcionários sem funções de vigilância mais expostos ao problema.
Dias depois, foi chamado a uma reunião com dois gerentes e foi despedido.
Smith descreveu a decisão como devastadora, dizendo que a empresa “era como uma família” e que agora teme perder a casa.
O funcionário sofre de ansiedade e, segundo o mesmo, a gerência tinha conhecimento dessa situação.
A Waitrose, citada pelo jornal, defendeu que mantém políticas internas claras para proteger clientes e trabalhadores e que essas regras devem ser seguidas de forma rigorosa.
A empresa argumentou que enfrentar suspeitos de furto pode colocar vidas em risco e sustentou que nenhum produto justifica esse perigo. A retalhista recusou comentar em detalhe o caso, mas indicou que o processo disciplinar inclui um mecanismo normal de recurso.
Nigel Farage já reagiu a este caso. O deputado, líder do Reform UK, escreveu no X: “Somos agora um país que favorece os criminosos em detrimento das forças da lei. A Grã-Bretanha está em crise”.