Dados recentes mostram que muitos países apresentam défices bastante acima do limite de 3% da União Europeia (UE), com algumas das maiores economias da região entre as mais incumpridoras. Veja o mapa e surpreenda-se com Portugal.
A UE estabelece um limite de 3% do PIB para os défices orçamentais. Contudo, aparentemente, muitos países estão, agora, a ultrapassá-lo de forma significativa, levantando questões sobre a aplicação das regras e a disciplina orçamental no bloco.
Défices mais elevados significam, geralmente, maior recurso ao endividamento, o que pode aumentar os custos com juros e limitar a capacidade dos governos para responder a crises futuras.
Diversas variáveis podem influenciar o orçamento de um governo e levá-lo a apresentar um excedente ou um défice. Em muitos países da UE, a pandemia de COVID-19 obrigou a um aumento da despesa numa altura de contração económica, numa tendência que continuou durante a crise energética após a invasão da Ucrânia pela Rússia.
Esta situação levou, também, ao aumento da despesa pública para além dos subsídios energéticos. Os governos europeus, especialmente no leste, reforçaram os gastos com a defesa para dissuadir a agressão russa.
A Polónia destaca-se com um défice orçamental de 5,8%, impulsionado sobretudo por um aumento significativo da despesa militar desde 2022.
Sendo um dos países da linha da frente da Organização do Tratado do Atlântico Norte (em inglês, NATO), a Polónia expandiu rapidamente o seu orçamento de defesa, ilustrando como as tensões geopolíticas estão a redefinir diretamente os saldos orçamentais na Europa.
Instabilidade geopolítica reflete-se nos défices dos países da UE
Um mapa da Visual Capitalist ilustra os saldos orçamentais dos governos como percentagem do PIB em toda a Europa, com base nos dados mais recentes do Eurostat e dos institutos nacionais de estatística, referentes ao final de 2025.
Embora os défices tenham aumentado durante a pandemia, continuam elevados devido ao fraco crescimento, aos choques energéticos e ao aumento da despesa com a defesa, especialmente nos países mais próximos da guerra na Ucrânia.
Nos países mais endividados, isto cria uma pressão orçamental crescente, à medida que o serviço da dívida ocupa uma fatia maior do orçamento.
Segundo o mapa, a Roménia tem o maior défice da Europa, com 7,3% do PIB, seguida pela Polónia e pela Bélgica.
Défices nas três maiores economias da UE
As três maiores economias da UE, França, Alemanha e Itália, apresentam todas défices, mas em níveis muito diferentes: França (5,4%) e Itália (3,4%) estão acima do limite da UE, enquanto a Alemanha (2,8%) se mantém ligeiramente abaixo.
A Alemanha, que durante muito tempo se orgulhou da sua prudência orçamental e baixa dívida pública, tem atravessado anos difíceis, com o choque da COVID-19 seguido de uma crise energética e uma recessão prolongada.
Além da Alemanha, França e Itália enfrentam, também, dificuldades em reduzir os seus défices, que estão entre os mais elevados da Europa, embora condicionadas por questões internas.
A instabilidade política em França e um parlamento dividido têm dificultado revisões orçamentais consistentes, enquanto Itália tenta há anos reduzir a sua elevada dívida pública, que ultrapassa 135% do PIB e é a segunda mais alta da zona euro, depois da Grécia.
Dados de Portugal
O mapa da Visual Capitalist indica que Portugal apresenta um défice de 0,5% do PIB, refletindo uma situação de equilíbrio orçamental moderada, muito distante dos níveis críticos de défice que se verificam noutros países europeus.
Considerando que muitos países registam défices superiores a 3% ou até mais elevados, nos últimos anos, este dado coloca Portugal numa posição fiscal relativamente sólida e próxima do equilíbrio entre receitas e despesas públicas.
De ressalvar que o dado apresentado pela Visual Capitalist para Portugal é diferente da informação oficial que tem vindo a ser divulgada, que aponta para um superavit de cerca de 0,7% do PIB em 2025, indicando que as receitas superaram as despesas.
Isto deve-se ao facto de o mapa da Visual Capitalist ilustrar especificamente o terceiro trimestre de 2025, em vez do ano todo.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), o excedente das contas públicas fixou-se em 0,7% do PIB, ou seja, uma revisão em alta face aos 0,3% estimado pelo ministério de Miranda Sarmento no Orçamento do Estado para 2026.
No total, o Estado português obteve um saldo positivo de 2058,6 milhões de euros em 2025, com a receita total a ascender a 133 mil milhões de euros, tendo aumentado 6,7% entre 2024 e 2025 (mais 8,3 mil milhões de euros).
A despesa total variou 6,6% em 2025 (mais 8,1 mil milhões de euros), para 130,9 mil milhões de euros, tendo a despesa corrente aumentado 6,3 mil milhões de euros (5,6%) em consequência do crescimento das remunerações dos empregados (+7,6%) e das prestações sociais, exceto transferências sociais em espécie (+6,2%).



