Morreu nesta terça-feira o antigo seleccionador romeno Mircea Lucescu, um dos técnicos com um dos palmarés mais extensos do futebol mundial. A morte do antigo técnico de 80 anos foi anunciada pelo Hospital Universitário de Bucareste, onde Lucescu estava internado há cerca de uma semana devido a uma crise cardíaca.

Lucescu tinha abandonado o comando da selecção romena no final de Março, na sequência de um desmaio sofrido durante uma sessão de treino. A 3 de Abril, quando era esperada a sua alta em Bucareste, o técnico sofreu dois enfartes e o seu estado de saúde agravara-se desde então, entrando em coma.

O seu percurso como treinador fora um dos mais celebrados da história do futebol. Conquistou 35 troféus ao longo de quase 50 anos de carreira, número que o coloca apenas atrás de Alex Ferguson e Pep Guardiola.

O seu sucesso fica sobretudo associado ao do Shakhtar Donetsk, clube ucraniano oito vezes campeão nacional entre 2004 e 2016 e vencedor da última Taça UEFA em 2008/09. Orientou ainda o Pisa, Brescia, Reggiana, Inter, Galatasaray, Besiktas, Zenit de São Petersburgo e Dínamo de Kiev, além das seleções da Roménia e da Turquia. Foi o primeiro seleccionador a levar a Roménia a um Campeonato da Europa, em 1984. Para além do sucesso na Ucrânia, foi campeão turco com o Besiktas e romeno tanto com o Dínamo como com o Rapid de Bucareste.


Antes, como jogador, a médio, representou o Dínamo de Bucareste, sangrando-se campeão nacional sete vezes, e foi jogador-treinador do Corvinul Hunedoara, aventura que o lançou como técnico. Lucescu foi internacional romeno 64 vezes e foi ao Mundial de 1970, onde trocou de camisola com Pelé.

“Gerações inteiras de romenos cresceram com a sua imagem no coração, como um símbolo nacional. Que Deus descanse a sua alma”, lê-se na nota emitida esta terça-feira pelo Hospital Universitário de Bucareste. As declarações de pesar multiplicam-se. Aleksander Ceferin, presidente da UEFA, lamentou a perda de “um raro intelecto” no futebol, fama que já transportava dos tempos de jogador, como “devorador de livros”.