Embora grande parte da atenção sobre as fotografias impressionantes da missão Artemis II se tenha centrado nas imagens da Lua, há outro elemento a gerar curiosidade: a lente que as captou. Aparentemente, a câmara responsável pelo detalhe impressionante é uma Nikon com mais de 10 anos.

Nas palavras da própria NASA, os seus astronautas levaram para a missão Artemis II “uma frota de câmaras para captar milhares de fotos”.

Curiosamente, apesar de a tripulação da Artemis II ter conseguido, à última hora, levar a atual câmara topo de gama da Nikon, a mirrorless Z9, a tripulação tem usado a DSLR Nikon D5 de 2016 como câmara principal. E não podemos propriamente queixar-nos do resultado.

Nikon D5. Crédito: Lens and Shutter

De facto, embora a escolha da DSLR Nikon D5 como câmara principal numa missão espacial de milhares de milhões de dólares em 2026 possa parecer uma escolha estranha, esta é, aparentemente, a melhor ferramenta para a tarefa.

A imprensa dedicada à fotografia tem explorado os motivos pelos quais esta escolha faz sentido.

A Nikon D5 é a melhor câmara digital da Nikon em termos de desempenho ISO a baixa luminosidade, como mostra o gráfico da Photons to Photos.

Imagens da Lua pela lente da Nikon D5

Segundo o PetaPixel, além de a Nikon D5 ser uma câmara testada e conhecida pela NASA por suportar o ambiente hostil do espaço, é “também uma câmara singularmente capaz para esta situação específica”.

Quando a Nikon lançou a D5, grande parte do seu marketing destacou que poderia atingir um valor ISO absurdamente alto de 3.280.000.

📸 Numa câmara, o ISO indica a sensibilidade do sensor à luz.

  • Quanto mais baixo for o ISO, como 100 ou 200, menos sensível o sensor é, exigindo mais luz para uma boa fotografia, mas resultando numa imagem mais nítida e com menos ruído.
  • Quanto mais alto for o ISO, como 3200 ou 12800, mais sensível o sensor se torna, permitindo fotografar em condições de pouca luz, mas aumentando o ruído e tornando a imagem menos limpa.

Embora esse valor máximo seja, na maioria das vezes, exagerado e ISO 3,28 milhões seja praticamente inútil, o desempenho da D5 em condições de pouca luz tem sido crucial.

Conforme explicado, a D5 é a melhor performer da Nikon em ISO elevado, não apenas para DSLRs, mas para todas as câmaras digitais Nikon alguma vez produzidas.

Assim, tendo em conta que a missão Artemis II da NASA procura captar o máximo de dados visuais úteis da superfície lunar possível, com o maior detalhe, é crucial conseguir fotografias nítidas e limpas da superfície da Lua.

Então, apesar de a Nikon Z9, também a bordo da nave Orion, ter mais megapixels do que a D5 DSLR, não é tão competente em ISO elevados, e o espaço é extremamente escuro.


Conforme explicado, enquanto os astronautas conseguem manter o ISO baixo ao fotografar a Lua iluminada, o lado mais escuro do satélite natural exige ISO elevado.

Por isso, ainda que a Nikon Z9 pudesse funcionar bem e captar ótimas fotos em cenários de luz ténue, a Nikon D5 continua a ser uma escolha superior para a missão Artemis II, mesmo 10 anos depois.

Curiosamente, a Nikon está a migrar para a plataforma Z9 para a missão Artemis III com a Handheld Universal Lunar Camera (HULC) de próxima geração. Por isso, a Artemis II será provavelmente a última aparição da D5 num contexto de espetacularidade como este.