Ceticismo em torno de cessar-fogo leva Ásia para o vermelho. Europa aponta para quedas
As principais praças asiáticas encerraram a sessão desta quinta-feira maioritariamente em território negativo, num dia em que o petróleo está, novamente, a subir e os investidores mostram-se céticos em relação ao acordo de cessar-fogo alcançado entre EUA e Irão. Apesar de a reabertura do estreito de Ormuz ter sido uma das condições impostas por Washington, a via marítima continua a ver um tráfego bastante diminuto. Além disso, Teerão está a acusar os norte-americanos e israelitas de violarem três cláusulas fundamentais do acordo.
Neste contexto, o MSCI Asia Pacific – “benchmark” para a negociação da região – cai 0,91%, com a maioria das principais praças pintadas de vermelho. Pela Europa, a negociação de futuros aponta para o mesmo caminho, embora com perdas muito menos substanciais – isto depois de, na quarta-feira, o Stoxx 600 ter acelerado quase 4% e vivido a melhor sessão em um ano, impulsionado pelas expectativas de que o cessar-fogo alcançado entre os EUA e Irão leve à reposição dos fluxos de petróleo mundiais.
Estas movimentações refletem o quão os mercados estão com os “nervos em franja” desde que o conflito estalou no Médio Oriente. Qualquer desenvolvimento na guerra – oficialmente interrompida por duas semanas – está a ter um grande impacto na negociação de ativos de risco, como é o caso das ações, com os investidores a mostrarem-se particularmente sensíveis à questão de Ormuz.
“A fragilidade do cessar-fogo já está a ser posta à prova”, explica Peter Dragicevich, estratega cambial da Corpay Solutions, em Sydney, citado pela Bloomberg. “A situação no Médio Oriente melhorou, mas a situação continua instável e, dada a volatilidade dos intervenientes envolvidos, pode deteriorar-se a qualquer momento”, acrescenta, depois de Israel ter atacado o Líbano na quarta-feira. Uma das condições do acordo era “um cessar-fogo imediato em todo o lado, incluindo no Líbano e outras regiões, com efeito imediato”, diz o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad-Bagher Ghalibaf.
Ao mesmo tempo, e contribuindo para a desconfiança dos investidores, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que todos os navios, aeronaves e pessoal militar vão permanecer na região, até que o “verdadeiro acordo alcançado” seja plenamente cumprido. A Casa Branca vai encetar negociações diretas com o Irão, estando a primeira ronda de negociações marcada para sábado de manhã, em Islamabad.
Entre as principais movimentações de mercado, o sul-coreano Kospi liderou as perdas regionais, ao ceder 1,73%, enquanto o japonês Nikkei 225 caiu 0,78% e os chineses Hang Seng e Shanghai Composite deslizaram 0,38% e 0,80%, respetivamente. Pela Austrália, o S&P/ASX 200 conseguiu contrariar a tendência, ao crescer 0,24%.