“Nunca tive uma relação com Epstein ou com a sua cúmplice Maxwell”, declarou nesta quinta-feira a primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, numa rara conferência de imprensa na Casa Branca. “As mentiras que me relacionam com o infame Jeffrey Epstein têm de acabar hoje.”
“Não sou uma vítima de Epstein. Epstein não me apresentou a Donald Trump. Conheci o meu marido, por um acaso, numa festa em Nova Iorque em 1998”; afirmou.
“Nunca tive qualquer conhecimento dos abusos de Epstein às suas vítimas. Nunca estive envolvida em qualquer capacidade. Não fui uma participante”, acrescentou.
Não é claro o que terá levado a primeira-dama dos EUA a pronunciar-se agora sobre o caso, nem se a declaração terá tido um carácter preventivo em relação a qualquer investigação jornalística em curso. Melania referiu “numerosas imagens e declarações falsas” sobre si e Epstein que “têm estado a circular nas redes sociais há anos”, e criticou indivíduos “sem padrões éticos, humildade ou respeito”, sem os nomear, mas sugerindo alegados motivos políticos ou financeiros. Mencionou apenas notícias sobre si que foram desmentidas no passado.
Há contactos documentados publicamente entre o casal Trump e o falecido abusador sexual em série Jeffrey Epstein, que foi um influente gestor financeiro em Nova Iorque, e que Melania reconheceu na declaração desta quinta-feira.
“A primeira vez que cruzei caminhos com Epstein foi no ano 2000, num evento em que Donald e eu estivemos juntos. Na altura, eu não tinha conhecido Epstein e não tinha qualquer conhecimento dos seus crimes”, afirmou, admitindo ter estado noutros eventos sociais posteriores que Epstein também frequentou.
A primeira-dama reconheceu ainda um email trocado com Ghislaine Maxwell, em 2002, que consta do processo Epstein, mas sem qualquer carácter comprometedor imediatamente evidente. “O meu email de resposta a Maxwell não pode ser categorizado de outro modo que não como correspondência casual. A minha resposta educada ao seu email não é mais do que uma nota trivial”, defendeu.
Melania instou ainda o Congresso a prosseguir com as investigações ao escândalo de abusos sexuais. “Epstein não agiu sozinho”, afirmou, apelando ao Congresso para “disponibilizar às mulheres que foram vitimizadas por Epstein uma audição pública especificamente centrada nas sobreviventes”.
A afirmação contraria uma estratégia de quase um ano da administração republicana para desvalorizar o caso Epstein, que tinha entretanto saído do primeiro plano mediático devido à guerra no Irão. O Presidente Trump, refere a MS Now (antiga MSNBC), não estava a par do conteúdo da declaração feita esta noite pela primeira-dama.
Nem Melania, nem Donald Trump foram formalmente declarados suspeitos de qualquer crime no âmbito do caso Epstein, apesar de numerosas referências ao actual Presidente no processo.