Os preços do petróleo voltaram a subir esta sexta-feira, seguindo a tendência positiva do dia anterior, mas a valorização é insuficiente para anular a forte queda semanal que se sentiu após o acordo de cessar-fogo.

Tanto em Nova Iorque como em Londres, os preços de cada barril de petróleo estão a avançar mais de 2%. No caso do Brent do Mar do Norte, que é referência para as importações portuguesas, a cotação está em cerca de 98 dólares por barril; no crude nova-iorquino, a cotação está próxima dos 100 dólares.

São valorizações que não impedem a queda semanal superior a 10% do petróleo. O Brent e o crude negociavam perto dos 110 dólares no fim da semana passada, barreira de que agora estão mais distantes. A grande descida de preços deveu-se ao acordo de cessar-fogo que previa a reabertura do estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do tráfego marítimo da matéria-prima.

Houve depois incertezas sobre o acordo, com os ataques de Israel ao Líbano, mas também com dificuldades nas infra-estruturas da Arábia Saudita, onde os danos vividos em instalações acabaram por diminuir a sua capacidade de produção, de acordo com a agência Reuters. Além disso, a circulação do tráfego comercial está longe de estar normalizada.

Um mercado perturbado

O cessar-fogo acordado visou duas semanas, mas a sua fragilidade tem mantido as incertezas nos mercados internacionais, nomeadamente nos preços do petróleo, com a matéria-prima a ser uma das grandes protagonistas. Os preços continuam muito acima dos praticados antes do ataque que Estados Unidos da América e Israel perpetraram no Irão a 28 de Fevereiro deste ano, quando a matéria-prima era transaccionada em valores entre os 60 e os 70 dólares por barril.

“Apesar do alívio, a confiança na durabilidade do cessar-fogo continua limitada. O acordo é explicitamente temporário e condicional, sendo que o conflito é ainda descrito como estando por resolver e é capaz de potenciar uma renovada escalada”, aponta a nota da casa de investimento da Julius Baer.

O mercado de petróleo tem estado tão desequilibrado que os preços do petróleo do Mar do Norte chegaram mesmo aos valores mais elevados de sempre, como conta o Financial Times. É um tipo específico de petróleo e de contrato para entrega imediata (normalmente, os preços nos mercados são de futuros, precisamente porque é matéria-prima comprada para ser entregue no prazo acordado). Neste caso, é para entrega imediata e os preços estão em valores superiores aos de momentos como a crise financeira de 2008 ou a invasão da Ucrânia pela Rússia, diz a publicação especializada. Na prática, as refinarias estão a tentar assegurar que têm matéria-prima e, por isso, correram para adquirir este petróleo para entrega imediata.

Além disso, segundo o FT, os operadores também estão a queixar-se de não conseguir adquirir os produtos financeiros que servem de espécie de seguro contra mexidas nos preços, os contract for difference (CFD) – o preço disparou tanto para proteger os operadores face às oscilações do Brent que superou a barreira definida pela bolsa ICE, impedindo a comercialização.

Nos mercados internacionais, as bolsas europeias seguem maioritariamente com valorizações em relação a quinta-feira, mas de forma muito tímida, e Lisboa segue a descer, também de forma ligeira (a Galp e o BCP são as empresas que mais penalizam o PSI). As bolsas asiáticas encerraram maioritariamente no positivo.