Numa época em que podia ganhar tudo, o Arsenal correr sérios riscos de perder tudo. Depois de perder na final da Taça da Liga e de ser eliminado da Taça de Inglaterra, os “gunners” sofreram neste sábado uma rara derrota no Emirates, um 1-2 frente ao Bournemouth, e já não são a única equipa que depende de si própria para ser campeã. É verdade que continua na frente da Premier League inglesa, com nove pontos de vantagem sobre o Manchester City, mas tem mais dois jogos disputados que a equipa de Pep Guardiola, que irá defrontar no próximo fim-de-semana no Etihad. Ou seja, se o City ganhar esse jogo, mais os dois que tem em atraso, fica em igualdade pontual com os londrinos.

E não esquecer que, antes de fazer uma viagem ao norte de Inglaterra, terá de receber na próxima quarta-feira o Sporting para a segunda mão dos quartos-de-final da Liga dos Campeões, depois de ter vencido em Alvalade por 0-1, com um golo na compensação. E o jogo deste sábado só provou que é possível ganhar no Emirates, e que os “leões”, depois de verem o que fez o Bournemouth, 13.º classificado da Premier League, podem sonhar com uma inédita qualificação para as meias-finais. Com tudo em jogo, irá Arteta fazer uma gestão da equipa e guardar os seus melhores para o confronto com o City?

É uma pergunta legítima, porque é indiscutível que o grande objectivo da época é chegar ao título de campeão, que já não conquista há mais de 20 anos. Esse objectivo ficou seriamente comprometido com a derrota deste domingo frente a um Bournemouth que tem mais empates (15) do que qualquer outro resultado esta época. O escândalo começou a desenhar-se aos 17’, com um golo do jovem Eli Kroupi aos 17’, depois de um cruzamento de Truffard que desviou num defesa do Arsenal – foi o 10.º golo do avançado francês, ele que tem ascendência portuguesa do lado da mãe e costa-marfinense da parte do pai.

O Emirates ficou em alerta com o golo dos visitantes, mas a normalidade acabaria por ser reposta aos 29’, com um penálti assinalado a favor dos “gunners” após bola no braço de Ryan Christie, após um remate à queima-roupa de Madueke. Viktor Gyökeres avançou para a marca dos 11 metros e não falhou. Empate para o Arsenal, ainda com mais de uma hora para jogar.

A verdade é que os “gunners” foram mostrando grandes dificuldades em criar perigo junto da baliza do Bournemouth e nem a arma das bolas paradas funcionava. Arteta foi metendo gente diferente – Trossard, Eze, Jesus e Dowman – o próprio Gabriel Magalhães foi jogar no ataque, mas nada. E foi o Bournemouth a colocar-se de novo em vantagem aos 74’, com uma excelente finalização de Alex Scott após assistência do ex-FC Porto Evanilson.

Este era o pior pesadelo para o Arsenal e para Arteta, sofrer mais uma derrota na semana mais importante da época. Mas factos são factos. Foi a terceira derrota do Arsenal nos últimos quatro jogos, apenas a segunda em toda a época em casa (antes, perdera com o Manchester United), sendo a excepção o triunfo pouco inspirado em Alvalade na última terça-feira. Agora, recebe o Sporting que vai querer devolver a “gentileza”.