A Rússia e a Ucrânia trocaram 175 prisioneiros de guerra neste sábado, enquanto se preparavam para um cessar-fogo temporário durante as celebrações da Páscoa Ortodoxa.
A mais recente troca de prisioneiros teve lugar na véspera do dia da Páscoa Ortodoxa, uma das datas mais importantes para a religião predominante na Rússia e na Ucrânia –, que este ano se celebra no dia 12 de Abril. A troca contou com a mediação dos Emirados Árabes Unidos, segundo o Ministério da Defesa russo.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, escreveu na rede social X que 175 militares, assim como sete civis, tinham regressado ao país, a maioria em cativeiro desde 2022.
O Ministério da Defesa russo anunciou o outro lado da troca, a libertação de 175 militares russos e “sete cidadãos da Federação Russa – residentes na região de Kursk – que tinham sido detidos ilegalmente pelo regime de Kiev”. Estes seriam os últimos residentes de Kursk ainda em cativeiro ucraniano após a incursão das Forças Armadas da Ucrânia na região em 2024, segundo uma publicação da comissária russa para os Direitos Humanos, Tatiana Moskalkova, no Telegram.
Para este sábado, estava planeado o início de um cessar-fogo temporário, a propósito das celebrações da Páscoa Ortodoxa, com promessas de suspensão dos ataques entre as 16h (13h em Lisboa) e o final do dia de domingo. A trégua foi anunciada na quinta-feira por Vladimir Putin, Presidente russo, através de uma mensagem partilhada nos meios de comunicação estatais.
Horas antes do início do cessar-fogo, Zelensky escreveu no X estar comprometido com a trégua, mas assumiu que o Exército ucraniano está “preparado para quaisquer desenvolvimentos na linha da frente”, em caso de desrespeito russo do acordo. “Acreditamos que a Páscoa deve se um momento de silêncio e segurança”, escreveu, prometendo que “a ausência de ataques russos no ar, em terra e no mar significará que não haverá resposta da nossa parte”.
Este cepticismo em relação ao cumprimento da trégua não é de estranhar, uma vez que, no ano passado, apesar de terem acordado um cessar-fogo semelhante por ocasião da Páscoa, ambos os lados se acusaram mutuamente de centenas de violações. Além disso, na noite antes do início desta trégua, 160 drones russos foram lançados contra a Ucrânia, segundo a Força Aérea ucraniana, causando pelo menos dois mortos, de acordo com autoridades locais.
Ainda assim, o Presidente ucraniano disse acreditar que este cessar-fogo “poderia também marcar o início de um verdadeiro avanço rumo à paz”. Numa entrevista recente à Bloomberg, Kyrylo Budanov, o principal negociador ucraniano, afirmou que as conversações entre a Ucrânia e a Rússia estão a avançar no sentido de um possível acordo de paz, acrescentando que o fim da guerra poderá não demorar muito tempo a concretizar-se. “Todos compreendem que a guerra tem de acabar, é por isso que estão a negociar”, afirmou.
Delegações da Ucrânia, dos Estados Unidos e da Rússia realizaram anteriormente duas rondas de negociações em Abu Dhabi, em Janeiro e Fevereiro, seguidas de outra ronda em Genebra.
De acordo com Zelensky, novas reuniões foram temporariamente adiadas devido a mudanças nas prioridades da política externa dos EUA, que se centram no conflito no Médio Oriente. Mesmo assim, escreveu no X que uma reunião trilateral se realizará, em princípio, até Junho.
Texto editado por António Saraiva Lima