Continuam as “simpatias” públicas entre Frederico Varandas e André Villas-Boas. Há uma semana, o presidente do FC Porto disse que o líder dos “leões” andava a fazer “figurinhas” por causa dos incidentes no Dragão Arena antes de um jogo de andebol entre os dois clubes, neste domingo Varandas visou Villas-Boas com uma série de ataques, entre respostas que não foram dadas, desculpas que foram pedidas e outros “mimos” para o presidente do FC Porto, a dez dias do clássico no Dragão que irá definir um dos finalistas da Taça de Portugal.
À saída do torneio Aurélio Pereira, que decorreu no Estádio Universitário, em Lisboa, Varandas dedicou a maior parte das suas palavras a Villas-Boas, depois de considerar que o Sporting está a viver “dos melhores momentos da história do clube, ter três equipas nos quartos-de-final da Champions [futebol, andebol e hóquei] e o futsal nas meias-finais”. “É uma semana onde o Sporting está onde quer está, nas decisões. Temos uma Champions onde é um orgulho a campanha que fizemos”, disse Varandas.
Quando o assunto passou a ser Villas-Boas e o FC Porto, Varandas alongou-se bastante mais nas declarações aos jornalistas, começando por visar as palavras do líder dos “dragões” após uma audiência com a Ministra da Cultura, Juventude e Desporto. “Não vi qualquer pergunta respondida que todos os portugueses gostariam, vi um comportamento do adepto com comparações com uma estrutura profissional, nomeadamente o FC Porto, depois vi um grave atentado à liberdade de expressão, com um claro condicionamento a comentadores e jornalistas. E o pior, ainda, gozou com o estado clínico de um treinador, de um jogador de andebol, com uma delegada”, começou por dizer o presidente dos “leões”, referindo-se, depois a um pedido de desculpas que terá feito a Villas-Boas.
“Se pedi ou não desculpa? Após essas declarações, reparei que havia muitas pessoas a dizerem que já chega, mas o Sporting não começou nada disto. Há um clube que agrediu e outro que foi agredido. O Sporting não agrediu. O Sporting recebe bem as suas equipas, não passa vídeos no balneário dos árbitros para condicioná-los, não tem equipas visitantes a sentirem-se mal quando vão ao João Rocha. Mas mais uma vez sinto um silêncio e uma inacção por parte das pessoas que dirigem o desporto em Portugal. Se eu não falasse, quem ia defender o Sporting”, disse Varandas, esclarecendo depois o alegado pedido de desculpas.
“É verdade. Aconteceu numa reunião promovida por Pedro Proença, na Cidade do Futebol, onde estavam os presidentes de FC Porto, Sporting, Benfica e Sp. Braga. Uma vez que apoiámos Pedro Proença, queríamos saber o estado de determinados dossiês. Foi uma reunião positiva e construtiva (…). À despedida, lembro-me perfeitamente, pedi desculpa por algum excesso em algumas situações do passado, nomeadamente com o presidente do FC Porto, mas antes da visita da equipa de andebol do Sporting ao Dragão Arena e da equipa do Sporting ao Dragão”, revelou.
A concluir, Varandas revelou um episódio que ocorreu durante as eleições para a presidência da Liga Portugal. “Estávamos nós, há cerca um ano, em eleições para a presidência da Liga e os quatro presidentes, com um acompanhante, o presidente Rui Costa estava acompanhado por Nuno Catarino, eu com Francisco Salgado Zenha, o presidente André Villas-Boas com Pereira da Costa e o presidente António Salvador com André Viana. Reunimo-nos num hotel em Gaia onde entrevistámos os candidatos à presidência da Liga, na altura o João Fonseca e o Reinaldo Teixeira, o actual presidente”, começou por dizer.
“Quando estávamos a entrevistar o na altura ainda candidato Reinaldo Teixeira, o presidente André Villas-Boas levantou uma questão e disse o seguinte: ‘Ó Reinaldo, uma coisa que para nós é extremamente importante é a verdade desportiva e os casos de Justiça. Um presidente da Liga tem de ter mão de ferro nestes assuntos’. Villas-Boas vira-se para Rui Costa e diz o seguinte: ‘Olhe, isto até nos afecta aos dois porque na verdade, não tenho problemas em dizer isto, tanto para o FC Porto com o caso do Apito Dourado, como para o Benfica com o caso dos e-mails, estes dois casos são uma vergonha e eu queria que o presidente da Liga não voltasse a permitir este tipo de coisas.’ Na altura, o presidente Rui Costa até não fez nenhum comentário”, referiu Varandas antes de concluir as suas palavras com uma pergunta.
“Gostava de saber se o Villas-Boas também fazia o mesmo comentário publicamente e dizia que o Apito Dourado é um momento de vergonha para o futebol português?”, disse.