A Suzuki acaba de abrir um novo capítulo na sua história com o lançamento comercial do e Vitara. Este é o primeiro modelo global da marca a abdicar totalmente dos motores de combustão, recorrendo a uma plataforma desenvolvida de raiz para a locomoção eléctrica, baptizada de Heartech-e. O objectivo para o mercado ibérico é conservador, mas honesto para uma marca com a dimensão da Suzuki: vender 300 unidades entre Portugal e Espanha no primeiro ano.

O design do novo modelo afasta-se das linhas mais suaves de alguns concorrentes, optando por formas geométricas e poligonais que lhe conferem um aspecto musculado e aventureiro. Com uma assinatura luminosa de três pontos nas ópticas e jantes que podem variar entre as 18 e as 19 polegadas, o e Vitara apresenta-se como uma proposta que pretende aliar a modernidade hi-tech à tradição de robustez da marca.

Engenharia dedicada e tracção total

Ao contrário de outras propostas que adaptam chassis antigos, a Suzuki investiu numa base plana que aloja as células das baterias de forma protegida, garantindo um centro de gravidade baixo. No coração deste projecto estão as baterias Blade da BYD, com química de lítio-ferro-fosfato (LFP), reconhecidas pela sua resistência e fiabilidade.

Em Portugal, o modelo será disponibilizado com duas capacidades de bateria: 49 e 61 kWh. A versão de entrada oferece uma potência de 106 kW (144cv), enquanto a variante intermédia sobe para os 128 kW (174cv), ambas com tracção dianteira. No entanto, é no sistema AllGrip-e que a Suzuki deposita as expectativas dos entusiastas do todo-o-terreno. Esta versão de tracção integral utiliza dois motores independentes — um em cada eixo — para uma potência combinada de 135 kW (184cv) e um binário de 307 Nm. Esta versão mais potente consegue cumprir o sprint dos 0 aos 100 km/h em 7,4 segundos.

Primeiras impressões

Durante o nosso contacto com o e Vitara nos arredores de Madrid, testámos a versão de tracção integral. Embora não apresente aquela aceleração explosiva e por vezes desconfortável de alguns eléctricos, demonstrou uma entrega de potência forte e muito progressiva. A direcção revelou-se pesada e comunicativa, transmitindo confiança logo nos primeiros quilómetros.





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Em estradas mais sinuosas, o comportamento revelou-se previsível, mas é notório que a suspensão foi afinada para privilegiar o conforto urbano. Se na cidade o e Vitara digere com facilidade as irregularidades do piso, em estradas secundárias o amortecimento parece ter alguma dificuldade em controlar as oscilações da carroçaria, resultando num adornar típico de um SUV mais macio. Outro aspecto que merece nota é o ruído aerodinâmico e de rolamento, que se torna intrusivo quando circulamos em auto-estrada a velocidades mais elevadas.

O interior segue a filosofia de robustez da marca. Apesar de encontrarmos muitas superfícies rígidas ao toque, os materiais aparentam ser sólidos e estão bem montados, sugerindo que este habitáculo está preparado para resistir a anos de utilização intensiva sem ruídos parasitas. Uma das decisões mais acertadas foi a manutenção de botões físicos para o sistema de climatização, algo que facilita a operação sem desviar o olhar da estrada. O espaço para as pernas na segunda fila de bancos — que é reclinável e deslizante — é generoso, embora passageiros mais altos possam sentir o tejadilho demasiado próximo da cabeça. Já a bagageira não impressiona, ficando-se por valores modestos para o segmento.

No campo da tecnologia, o cenário é misto. O painel de instrumentos e o ecrã central, ambos de 10 polegadas, dominam o tablier. Contudo, o sistema de infoentretenimento apresenta um design algo ultrapassado e uma interface que se revelou confusa e com algum atraso na resposta aos comandos. Vale-nos a compatibilidade com Android Auto e Apple CarPlay para contornar estas limitações ergonómicas.




As ópticas de três pontos dão um “toque” de modernidade ao design
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Autonomia e carregamento

A eficiência energética deixou-nos algumas reservas. Durante o trajecto de ensaio, os consumos rondaram os 19 kWh/100 km na versão de dois motores, o que, combinado com baterias de capacidade média, limita a autonomia para viagens mais longas. Os valores oficiais apontam para um máximo de 426 quilómetros na versão com tracção integral com bateria de 61kWh, mas este valor desce para os 395 quilómetros na variante AllGrip-e.

Quanto ao carregamento, a Suzuki anuncia que é possível recuperar de 10% a 80% da energia em 45 minutos em postos de corrente contínua (DC). Em corrente alternada (AC), o carregador interno suporta até 11 kW. São valores satisfatórios, mas que poderão exigir algum planeamento adicional em aventuras por terrenos mais acidentados onde a rede de carregamento seja escassa.




No interior as superfícies são rígidas, mas transmitem a sensação de solidez. O sistema de infoentrenimento tem uma interface confusa e antiquada
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Preços competitivos

A estratégia comercial da Suzuki para o e Vitara é agressiva. Os preços começam nos 31.239 euros para a versão S2 de 49 kWh, já incluindo as campanhas comercial e financeira em vigor. A versão topo de gama, o e Vitara S3 4WD com a bateria de maior capacidade, fixa-se nos 41.709 euros.

É uma política de preços competitiva face aos rivais tradicionais, especialmente se considerarmos a vasta lista de equipamento de série. Todas as versões incluem o sistema de segurança Dual Sensor Brake Support II (DSBS II), que utiliza radares de ondas milimétricas e câmaras para detecção de peões e ciclistas, além do controlo de velocidade adaptativo e do assistente de manutenção na faixa de rodagem. O modelo já está disponível para encomenda na rede oficial de concessionários da marca.