O grupo espanhol Unicaja está a negociar a compra do Wizink, banco especializado em crédito pessoal e em cartões que está presente em Portugal. Ainda não há valores publicamente conhecidos, nem um acordo definitivo, mas as negociações estão confirmadas, até já há assessores a apoiar os envolvidos que podem promover mudanças nesta marca que existe há cerca de uma década, sem balcões, mas com presença nas vendas directas em espaços comerciais.
Em comunicado publicado nesta segunda-feira, 13 de Abril, o Unicaja Banco “confirma uma análise preliminar com o Wizink Bank, com conhecimento do conselho de administração e dentro do que está inscrito no plano estratégico, relativo a um potencial acordo, não definido neste momento, para o que conta com assessores externos, financeiros (PricewaterhouseCoopers) e jurídicos (Uría Menéndez), não tendo sido tomada ainda nenhuma decisão definitiva por parte do Unicaja Banco”.
Não são avançados mais pormenores, a não ser que o grupo Unicaja, que tem a Fundação Bancária Unicaja como principal accionista e está cotado na bolsa espanhola, sublinha que “analisa potenciais oportunidades de investimento ou operações corporativas” que possam ter interesse para os seus accionistas. Em 2025, o jornal El Confidencial tinha já adiantado conversações, e nesta segunda-feira avançou com mais pormenores, que obrigaram o comprador a comunicar o supervisor e o mercado.
Embora não esteja no topo, como o Santander, BBVA ou CaixaBank, o Unicaja encontra-se entre os grandes bancos espanhóis, ainda que sem presença em Portugal. Ainda há anos comprou um concorrente, o Liberbank. Tem forte presença no Sul, sobretudo em Málaga, onde está sediado, mas também perto da fronteira portuguesa, na Estremadura, bem como no Norte (nas Astúrias e Cantábria). A compra do Wizink permitirá ao banco expandir-se na área de negócio do crédito ao consumo.
O grupo que teve origem na fusão de caixas de poupanças espanholas só opera em Espanha, pelo que a transacção, se envolver o actual perímetro do Wizink, vai colocá-lo em Portugal. Não são conhecidos os moldes, nem se a sucursal portuguesa estará integrada na transacção. Já houve tentativas para vender a sucursal nacional, mas foi só uma das soluções que estiveram em cima da mesa do Wizink que ficaram pelo caminho.
O Wizink tem origem no banco digital do antigo Banco Popular, sendo que depois se alargou com a compra da unidade de cartões de crédito do grupo britânico, Barclays, o Barclaycard, altura em que ganhou peso em Portugal. Desde 2018 que o Wizink é controlado pelo grupo americano Värde Partners, mas as dificuldades financeiras que enfrentou acabaram por passar mais de 30% para as mãos de antigos credores, segundo conta o jornal espanhol económico Cinco Días.
A operação do grupo em Portugal é feita através de uma sucursal, que está a tentar deixar de estar tão dependente de consumidores finais no crédito e passar a apostar mais em parcerias comerciais, como a que fechou com o Benfica. Além disso, segundo uma entrevista do seu responsável ao Jornal Económico no ano passado, também havia vontade de entrar no segmento de depósitos em Portugal. Segundo o relatório e contas de 2024, o último publicado, havia 90 trabalhadores na sucursal portuguesa, face aos 772 em Espanha.
Esta é mais uma operação de fusões e aquisições no mundo financeiro a decorrer na Península Ibérica, em que a maior é a venda do Novo Banco aos franceses do BPCE, com correspondente saída da gestora de fundos americana Lone Star.
O Unicaja é um dos poucos bancos de dimensão considerável em Espanha que não estão em Portugal; ao seu lado, está o Sabadell, que chegou a ser accionista do BCP, mas não tendo presença comercial. A banca espanhola concentra cerca de um terço do mercado português: o CaixaBank (com o BPI) e o Santander estão no topo nacional, e o outro gigante espanhol, o BBVA, continua a estar presente, mas com uma sucursal de pequena dimensão (depois de ter tido grandes ambições). O Abanca, que recentemente cresceu com a compra do Eurobic, e o Bankinter estão no leque dos espanhóis com maior dimensão no país.