Naquilo que os analistas leem como a entrada numa fase de desespero, o presidente dos Estados Unidos, mais uma vez abandonado pela NATO, adverte para dura resposta ao bloqueio do estreito de Ormuz.
Os militares dos Estados Unidos iniciaram esta segunda-feira um bloqueio a navios que deixam os portos do Irão, disse o presidente Donald Trump, e Teerão ameaçou retaliar contra os portos dos seus vizinhos do Golfo depois de as negociações do fim-de-semana terem fracassado e não haver qualquer sinal de uma rápida reabertura do estreito de Ormuz.
Trump afirmou que o Irão entrou em contacto exatamente esta segunda-feira e demonstrou interesse em chegar a um acordo. Do seu lado, o Paquistão, que mediou o encontro entre delegações dos dois países, afirmou que as negociações não estão terminadas, mas apenas suspensas. Trump afirmou no final do encontro que Washington bloquearia os navios iranianos e quaisquer embarcações que pagassem a portagem de passagem aos iranianos, e que quaisquer navios iranianos seriam alvo de um “ataque rápido” se se aproximassem do bloqueio.
O Brigadeiro-General Reza Talaei-Nik, porta-voz do Ministério da Defesa do Irão, alertou para que os esforços de militares estrangeiros para policiar o estreito agravariam a crise e a instabilidade da segurança energética global.
O Comando Central Regional das Forças Armadas dos EUA afirmou que o bloqueio seria “aplicado imparcialmente contra embarcações de todas as nações” que entrassem ou saíssem de portos iranianos no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã. “O bloqueio não impedirá a passagem de trânsito neutro pelo Estreito de Ormuz com destino ou origem em países não iranianos”, afirmou o Comando em comunicado.
Um porta-voz militar iraniano classificou quaisquer restrições dos EUA à navegação internacional como “pirataria”, alertando que, se os portos iranianos forem ameaçados, nenhum porto no Golfo Pérsico ou no Golfo de Omã estará seguro.
Leão XIV e a NATO, inimigos dos EUA
Trump também atacou o Papa Leão XIV, nascido nos Estados Unidos, denunciando-o como “terrível” num raro ataque direto ao pontífice, que se manifestou contra a guerra. O Papa respondeu – o que também não é costume – dizendo que não tem receio do presidente dos Estados Unidos e que continuará a dizer o que tem a dizer sobre a guerra.
Já os aliados da NATO disseram esta segunda-feira que não se envolverão no plano de Donald Trump de bloquear os portos iranianos, propondo intervir somente após o fim dos combates. No fim-de-semana, Trump afirmou que os Estados Unidos trabalhariam com outros países para bloquearem a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, mas o silêncio que vinha das capitais europeias indicava que essa não era a realidade.
Reino Unido e a França disseram esta segunda-feira que não se envolveriam no conflito participando no bloqueio, afirmando, em vez disso, que estão a trabalhar numa iniciativa para abrir o estreito. A recusa é mais um ponto de atrito com Trump, que ameaçou retirar os EUA da aliança militar e considera retaliar retirando algumas tropas norte-americanas da Europa.
“Não estamos a apoiar o bloqueio”, disse o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, à BBC. “A minha decisão foi muito clara: seja qual for a pressão, e houve uma pressão considerável, não vamos deixar-nos arrastar para a guerra”, disse.
O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, disse aos governos europeus que Trump quer compromissos concretos num futuro próximo para ajudar a garantir a segurança do Estreito de Ormuz, mas terá ficado a falar sozinho. A NATO poderia desempenhar um papel no estreito se os seus 32 membros conseguissem chegar a um acordo sobre a formação de uma missão, disse Rutte na semana passada – sem que nenhuma capital se desse ao trabalho de lhe responder.