Frank Hadley Collins / Sanofi Pasteur / Flickr

Fêmea de Aedes aegypti, mosquito que pode transmitir três doenças: zika, dengue e chikungunya

Cientistas quiseram descobrir porque é que os insetos se aproximam de nós. São como predadores: é cada um por si na hora de picar.

Um estudo conduzido por investigadores do MIT e do Instituto Tecnológico da Geórgia ajudou a perceber, como nunca antes como o mosquito Aedes aegypti (o mosquito da dengue) localiza e ataca os seres humanos.

Houve um grande “azarado” está na origem das novas descobertas. Chris Zuo, estudante universitário, entrou voluntariamente numa cabina com mais de uma centena de mosquitos, enquanto câmaras 3D de infravermelhos registavam todos os seus movimentos.

A experiência permitiu reunir uma base de dados com mais de 20 milhões de registos de voo, e traz-nos uma nova perspetiva sobre o comportamento desta espécie, conhecida por transmitir doenças graves, não só a dengue, mas também, por exemplo, a febre amarela.

O objetivo principal era perceber que sinais levam os insetos a aproximarem-se das pessoas e de que modo ajustam a sua trajetória no momento da aproximação.

Segundo os investigadores, os mosquitos não atuam como um enxame organizado nem seguem uma lógica coletiva. Em vez disso, é cada um por si, embora sejam atraídos pelos mesmos estímulos.

“É como um bar apinhado“, explicam no artigo científico: “Os clientes não estão ali porque se seguiram uns aos outros até ao bar, mas porque foram atraídos pelos mesmos sinais: as bebidas, a música ou o ambiente”.

No caso dos mosquitos, esses sinais são sobretudo visuais e químicos. O estudo mostra que, quando detetam apenas a silhueta de uma pessoa, os mosquitos fazem aproximações rápidas e breves. Já quando identificam o dióxido de carbono libertado pela respiração humana, o padrão muda: os voos tornam-se mais lentos, metódicos e precisos, como se estivessem a mapear a origem do sinal. Quando a forma do corpo e o rasto químico coincidem, o risco de picada aumenta. Nessa fase, os insetos passam a orbitar em torno da vítima de forma persistente, num comportamento que os investigadores comparam ao de predadores.

Para Chris Zuo, a sensação era a de estar rodeado por “robôs”, quase como se faltasse apenas descobrir o algoritmo que guia os seus movimentos. E é precisamente esse conjunto de regras que a equipa pretendeu identificar.

As conclusões do estudo poderão ter aplicação direta no controlo de pragas, reconhece a National Geographic. Com base neste modelo matemático, os cientistas acreditam ser possível desenvolver armadilhas de sucção mais eficazes, capazes de reproduzir de forma intermitente os sinais humanos que atraem os mosquitos.


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