Na data em que se assinala o World Quantum Day, os alertas sobre o impacto dos avanços na computação quântica intensificam-se, impulsionando uma nova “corrida” para a segurança pós-quântica.

À medida que o mundo da computação quântica continua a avançar, os alertas sobre a chegada do Q Day, isto é, do momento em que surgir o primeiro sistema quântico suficientemente poderoso para quebrar a criptografia atual, sobem de tom. Outrora, estimativas apontavam para 2035, no entanto, empresas como a Google ou a IBM preveem o “pior” cenário já em 2029.

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Ao longo dos últimos anos, têm sido registados vários avanços importantes no campo da computação quântica, incluindo por parte de gigantes tecnológicas como a IBM, Google ou Microsoft. 

Por exemplo, em 2024, a Google apresentou o chip quântico Willow, capaz de resolver em apenas cinco minutos um problema que, segundo as estimativas da empresa, demoraria a um computador clássico mais tempo do que a idade do universo para calcular. Já em 2025, a tecnológica atualizou o chip e respectivo algoritmo para demonstrar aplicações no mundo real para a computação quântica.

Também no ano passado, a Microsoft apresentou o Majorana 1, o seu primeiro chip quântico. Na visão da gigante tecnológica, o chip vai ajudar na construção de computadores quânticos em anos, diminuindo as previsões de décadas como era apontado até aqui.

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A supremacia quântica, ou seja, a capacidade de reduzir para minutos, cálculos que demorariam aos supercomputadores atuais um milhão de anos a conseguir, tem sido proclamada por várias gigantes tecnológicas e até por novas startups ao longo dos anos. 

Apesar das experiências atuais ainda estarem longe da velocidade projetada os especialistas como os da Check Point Software, a evolução recente do algoritmos, a redução dos requisitos de qubits e os novos alertas da indústria mostram que o Q Day poderá chegar mais cedo do que se esperava. 

“A ameaça quântica já não pertence ao domínio da especulação”, afirma Pete Nicoletti, Global CISO da Check Point Software, citado em comunicado. “O que está em causa é a proteção de informação sensível com valor a longo prazo, que pode estar a ser capturada hoje e comprometida amanhã”. 

Nesse sentido, os especialistas detalham que um dos riscos mais críticos já em curso é a estratégia “harvest now, decrypt later”. Através dela agentes maliciosos recolhem hoje dados encriptados com o objetivo de os descodificar futuramente, quando a capacidade quântica o permitir. Informações financeiras, registos clínicos, propriedade intelectual e comunicações governamentais estão entre os ativos mais visados nesta estratégia. 

Nas palavras de Pete Nicoletti, “as organizações precisam de agir desde já, começando por identificar dependências criptográficas, priorizar ativos críticos e preparar uma estratégia real de crypto agility”

Segundo o responsável, “as organizações que começarem já estarão em melhor posição para identificar ativos vulneráveis, proteger dados sensíveis e garantir a continuidade do negócio”. Por outro lado, “as que adiarem esta decisão enfrentarão riscos crescentes de exposição de dados, penalizações regulatórias, responsabilidade legal e danos reputacionais duradouros”, alerta Pete Nicoletti.


Cloudflare estabelece meta ambiciosa para segurança pós-quântica para 2029


Pós-quântico
Cloudflare estabelece meta ambiciosa para segurança pós-quântica para 2029

A Cloudflare acelerou o planeamento para que toda a sua infraestrutura, incluindo sistemas de autenticação, esteja protegida com segurança pós-quântica.

A chamada criptografia pós-quântica assume um papel importante na proteção contra as futuras ameaças. A discussão sobre este tema decorre também há já vários anos e especialistas alertam para que a transição aconteça o mais rápido possível. Na Europa, por exemplo, os trabalhos nesta área já começaram e espera-se que sejam publicadas estratégias ainda este ano

Recentemente, uma investigação da divisão de Quantum AI da Google elevou a preocupação na indústria das criptomoedas. Segundo os dados partilhados, os computadores quânticos poderão descodificar as proteções criptográficas que protegem criptomoedas como o Bitcoin.

Os alertas deixados pela Google e por outras empresas do sector deram início a uma nova “corrida” contra o tempo para a segurança pós-quântica. A Cloudflare é uma das empresas que, recentemente, se pronunciou sobre este novo cenário, tendo acelerado o seu roadmap com vista a estar totalmente preparada para a segurança pós-quântica até 2029.

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