Em Janeiro havia em Portugal menos cidadãos estrangeiros a contribuir para a Segurança Social do que no mês anterior ou do que há um ano. Ainda assim, o valor das contribuições é superior em mais de 10% ao que descontavam em Janeiro de 2024, embora tenha ficado consideravelmente abaixo do valor global de Dezembro. Estas variações não foram acompanhadas de um aumento de cidadãos a receber prestações sociais.

Os dados são da Direcção-Geral de Coordenação e Planeamento do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e dizem respeito ao mês de Janeiro deste ano, sendo ainda considerados provisórios. De acordo com o boletim estatístico, naquele mês o número de cidadãos estrangeiros a contribuir para a Segurança Social ficou-se pelos 816.003, menos 13.152 pessoas do que no mesmo mês de 2025 (queda de 1,6%) e menos 41.382 do que em Dezembro, o que representa um decréscimo de 4,8%.

Ainda assim, o peso relativo das pessoas estrangeiras no total de todos os que contribuem para a Segurança Social é de 17,4%, enquanto o peso relativo do valor das contribuições destes cidadãos se situa nos 13,9%, um valor similar ao que foi considerado para todo o ano de 2025, e que se situava nos 14%.

Uma situação que decorre do facto de, apesar de haver menos estrangeiros a contribuir, o valor do que descontam para a Segurança Social ser superior ao que descontavam há um ano, embora tenha diminuído em relação a Dezembro.

De acordo com o boletim estatístico, o valor das contribuições dos cidadãos estrangeiros em Janeiro deste ano chegou aos 328,76 milhões de euros, o que é mais 30,8 milhões do que o valor de Janeiro de 2025, representando uma variação positiva de 10,3%. Já quando se olha para os valores de Dezembro de 2025, verifica-se que as contribuições mais recentes caíram em 14,1%, ou seja, entraram nos cofres da Segurança Social menos 53,9 milhões de euros provenientes de contribuições dos cidadãos estrangeiros.

Em queda estão também as prestações sociais pagas a cidadãos estrangeiros, seja a comparação feita com o período homólogo ou com o mês anterior. Em Janeiro, foram pagas 206.719 prestações (129.123 a mulheres e 77.596 a homens), ou seja, menos 7437 do que em Dezembro (redução de 3,5%) e menos 3810 do que há um ano (queda de 1,8%).

Já no que diz respeito aos montantes globais dessas prestações sociais, em Janeiro deste ano foram pagos 73,3 milhões de euros em prestações sociais a cidadãos estrangeiros, o que é menos 2,4 milhões do que há um ano (menos 3,2%), mas representa um aumento de 2,2 milhões (mais 3,1%) em comparação com Dezembro.

Em termos de peso relativo, o número de prestações sociais pagas a cidadãos estrangeiros representa 12,2% do total atribuído no país, enquanto em termos de valor a percentagem se fica pelos 11,7%.

Mais novas inscrições na Segurança Social

Já o número de novas inscrições de cidadãos estrangeiros na Segurança Social subiu, quer se compare com os dados de há um mês ou de há um ano. Em Janeiro, o número de novas inscrições foi de 17.890 – tinham sido 9979 em Dezembro e 12.579 em Janeiro de 2025.

Em Fevereiro, o MTSSS anunciou que passaria a divulgar dados mensais relativos a cidadãos estrangeiros no seu boletim estatístico, no que diz respeito a contribuições pagas por estes à Segurança Social e às prestações recebidas.

Os dados revelados indicam que, em Janeiro de 2015, as contribuições dos cidadãos estrangeiros para a Segurança Social não chegava aos 36 milhões de euros, enquanto em Janeiro de 2026 superou os 328,7 milhões. O número de contribuintes também subiu exponencialmente neste período: de 140.462 pessoas que contribuíam para a Segurança Social em Janeiro de 2015 passou-se para 816.003 em Janeiro deste ano.

O número e o valor das prestações pagas a estes cidadãos nestes onze anos também subiram, mas em proporções muito mais baixas. Passou-se de 64.232 pessoas a receber essas prestações em Janeiro de 2015 para 206.719 em Janeiro deste ano, enquanto os valores passaram de quase 12,6 milhões de euros para 73,3 milhões.