
Os jovens adultos tem fama de andar sob stress. Pelos vistos, estão a fazer alguma coisa em relação a isso — e os empregadores nem se apercebem. Mas as gerações mais velhas não lhes ficam atrás…
Há muitos jovens trabalhadores a passar o dia com algo mais do que cafeína.
Um novo inquérito a 1.000 adultos nos EUA concluiu que 35% dos inquiridos da Geração Z consomem substâncias como canábis, álcool ou medicamentos sujeitos a receita médica antes de começarem a trabalhar.
Segundo o estudo, 56% recorrem a essas substâncias depois do trabalho para recuperar do stress relacionado com o emprego.
Quase 1/3 fá-lo durante as pausas, afastando-se discretamente para o carro ou para as casas de banho do local de trabalho. Só 21% disseram estar sempre livres de substâncias durante o horário laboral.
Mas uma análise mais detalhada aos dados complica rapidamente a narrativa. Na verdade, os millennials ultrapassaram ligeiramente a Geração Z em várias categorias: 37% disseram consumir substâncias antes do trabalho, face a 35% da Geração Z, e 62% dos millennials usam álcool para gerir o stress, contra 61% da Geração Z.
Ou seja, a geração mais nova chama a atenção das manchetes, mas a de meia-idade está praticamente no mesmo registo, nota a revista Vice. Entre as 4 gerações abrangidas no estudo, o álcool foi a substância mais referida, com 57%, seguido da canábis, com 54%, e da nicotina, com 48%.
Percentagens mais baixas disseram recorrer a medicamentos sujeitos a receita médica para a ansiedade ou para dormir (26%), estimulantes como o Adderall (9%), analgésicos ou opióides (9%) e drogas ilícitas (7%).
As razões não são propriamente um mistério. 84% dos inquiridos disseram que o stress financeiro influencia o consumo de substâncias, sobretudo por causa do aumento dos custos com a alimentação e das despesas de subsistência (61%), dos serviços essenciais, como água, luz e gás (43%), e da habitação ou renda (41%).
Para uma geração que chegou à idade adulta durante uma pandemia, entrou num mercado de trabalho particularmente duro e nunca conheceu um ciclo noticioso que não fosse ativamente sombrio, estes mecanismos de compensação são, infelizmente, compreensíveis.
“Não é que a Geração Z não consiga lidar com o stress, mas está a enfrentar uma versão da vida que parece estar sempre ligada, e é difícil ganhar distanciamento”, disse Andrew McKenna, diretor-adjunto do National Council of Alcoholism and Drug Dependence e autor do estudo, ao New York Post.
“O que estamos a ver é uma mudança na forma de lidar com a pressão: deixou de se tratar de gerir realmente o stress e passou a ser apenas uma forma de aguentar e sobreviver.”
Parte do problema é que as alternativas mais funcionais estão cada vez mais fora de alcance. 79% dos inquiridos dizem que estas substâncias são mais acessíveis, mais baratas ou mais eficazes do que a terapia, 37% apontam o custo dos cuidados de saúde mental, e 25% referem cobertura de seguro insuficiente.
Quando a lista de espera para um terapeuta se prolonga por três meses e uma caneta de vape demora três minutos, as contas não são difíceis de fazer. E a fatura também pesa no orçamento.
Mais de 1/3 dos inquiridos gasta 50 dólares (42 euros) ou mais por semana em substâncias, e 15% gastam mais de 100 dólares. Ou seja, além de se automedicar em vez de aceder a cuidados adequados, estão a pagar um valor significativo para o fazer.
77% dos inquiridos da Geração Z disseram que ponderariam sair dos EUA por completo devido ao stress e ao custo de vida. Concretizem ou não essa intenção, o número diz muito sobre quão sustentável lhes parece hoje o quotidiano no país, sobretudo aos trabalhadores mais jovens. Ao que tudo indica, pouco.