O documentário “À Sombra do Sol” (“Solar Shadow”, no título em inglês), dirigido pelos mineiros Hugo Haddad e Isadora Canela, terá estreia mundial no Hot Docs – um dos mais importantes festivais de cinema documental do mundo – em Toronto, no Canadá. As sessões acontecem nos dias 28 e 29 de abril.
O longa-metragem de 72 minutos acompanha a trajetória do professor Germano Bruno Afonso, de ascendência guarani, astrônomo formado pela Sorbonne (França) e referência no Brasil nos estudos sobre astronomia indígena.
A produção sofreu uma reviravolta com a morte de Germano, vítima da Covid-19 ainda no início das filmagens. Sem o principal guia, os diretores passaram a percorrer diferentes territórios indígenas em busca das pessoas que mantiveram viva a pesquisa do professor.
“Mesmo sendo um pesquisador assíduo da academia, o trabalho de Germano desafiava a ideia de que o conhecimento científico só é válido quando vem de instituições ocidentais”, explicam os realizadores no material de divulgação. “Ele nos apresentou uma outra visão de mundo: uma cosmovisão em que as estrelas, o sol e a lua não são apenas objetos de estudo em laboratório, mas partes vivas da cultura, da memória e da resistência”, completam.

Cena do filme ‘À Sombra do Sol’, selecionado para festival canadense | Cajuína Audiovisual/Distribuição
O documentário combina imagens de arquivo de aulas e eventos com o professor, narração sensorial e paisagens que vão da Amazônia ao Sul do Brasil. Entre os personagens estão o pajé Wherá Tupã (falecido em 2024, aos 114 anos), o professor e escritor desana Jaime Diakara e a liderança guarani Marcelina Takua.
A direção de fotografia é assinada por Alberto Alvares, cineasta indígena da etnia Guarani Nhandewa, e por Carlos Ramon. A produção é de Victoria Mazzia e produção local de Diakara Dessano e Marcelina Moreira. A distribuição no Brasil será feita pela Cajuína Audiovisual, com previsão de exibições em universidades, comunidades indígenas e espaços culturais.