“Rio de Sangue” consumiu 50 dias de ensaios e filmagens em localidades como Aldeia Bragança, Alter do Chão e Santarém, no interior do Pará. O sol escaldante virou um personagem à parte, agindo implacavelmente sobre a temperatura da história, que já era quente por natureza, ao acompanhar a ação criminosa de garimpeiros em áreas indígenas. 

“Eu brinco que o suor acontecia em tempo real”, diverte-se a atriz Giovanna Antonelli, em entrevista à reportagem de O TEMPO. A protagonista do filme de Gustavo Bonafé, que estreia nesta quinta-feira (16) nos cinemas, não tem dúvidas da importância dessas locações para o desenvolvimento de sua personagem, uma policial que tenta salvar a filha da ação de criminosos.

“Essa imersão foi fundamental para trazer verdade às cenas. O nosso cansaço aparece na tela, o que traz veracidade para quem está vendo e também para nós, atores”, registra. “Foi muito físico. Não tinha como fingir porque o corpo estava sentindo tudo, mas isso me ajudou a criar essa mulher quebrada, que precisa agir no meio do caos”, afirma.

Com 35 anos de carreira, tendo dado os seus primeiros passos como Angelicat (assistente de palco do programa “Clube da Criança”, apresentado por Angélica na extinta TV Manchete), Giovanna vive uma experiência inédita, ao participar pela primeira vez de um thriller policial, apesar de ser, como gosta de frisar, “uma superconsumidora do gênero”.

“Eu amo esse tipo de filme. O Gu Bonafé sabe contar uma história de ação com maestria”, ressalta a atriz, que não poupa elogios aos seus colegas de elenco. Entre eles estão Alice Wegmann, no papel da filha, Antonio Calloni, como o chefe do garimpo, e o mineiro Rui Ricardo Diaz, que também está em cartaz com “Cinco Tipos de Medo”.

Alice é outra fã de fitas de ação. “Cresci vendo ‘As Panteras’!”, cita a Solange Duprat do remake de “Vale Tudo”, referindo-se aos filmes com Drew Barrymore e Cameron Diaz, lançados nos anos 2000. Diferentemente de Giovanna, a sua personagem – uma médica dedicada a tratar de indígenas que se torna refém de garimpeiros – não participa de cenas físicas, o que ela diz lamentar. 

“Ela tem mais cenas de cárcere, mas tive algumas coreografias nos momentos de fuga”, explica Alice. “Eu ainda quero fazer mais filmes de ação e exercitar ainda mais o corpo. Fui ginasta quando era mais nova e sempre quis me aventurar nisso”, revela a atriz, que chegou a ser treinada por dois campeões do esporte – os irmãos Daniele e Diego Hypólito.

Alice ressalta que “Rio de Sangue” é um thriller de ação, mas que está longe de ser apenas “tiro, porrada e bomba”. “Ele carrega uma denúncia. Coloca luz em temas como garimpo ilegal, exploração da floresta amazônica, o ataque às comunidades indígenas… é um filme com propósito”, sublinha. Giovanna vai na mesma linha, ao enaltecer o revestimento brasileiro.

“A gente consome tanta história de fora o tempo todo… Então acho bacana fazer um cinema que olhe para o nosso país. Isso faz com que ganhe outra dimensão, outra potência. Essa história já existe ali, mas às vezes a gente não vê, pois não é divulgada. Eu fiquei atravessada pela história e pela vivência, o que me fez sentir que cumpri o meu papel”, analisa.