Gena Steffens

Um hipopótamo no rio Magdalena, a maior via fluvial da Colômbia, onde os descendentes do grupo de Escobar estão a instalar-se cada vez mais, ameaçando a vida vegetal e animal.
Governo quer reduzir drasticamente a população de animais que faziam parte de um antigo zoo do infame narcotraficante, após várias tentativas fracassadas de esterilização e transferência para outros países.
A Colômbia planeia reduzir drasticamente a população de hipopótamos invasores descendentes de exemplares que pertenceram ao narcotraficante Pablo Escobar, informou o governo na segunda-feira, após anos de debate sobre como controlar o grupo cada vez maior destes animais.
A ministra do Ambiente, Irene Vélez Torres, afirmou que as autoridades pretendem abater inicialmente cerca de 80 animais, uma vez que os esforços para realocar os hipopótamos para jardins zoológicos e parques de vida selvagem em países como o México, a Índia e as Filipinas falharam até ao momento.
“Se não fizermos isto, não conseguiremos controlar a população”, disse a ministra. “Precisamos de tomar esta medida para preservar os nossos ecossistemas.”
Vélez sublinhou que os métodos anteriores para controlar a população, incluindo a esterilização de alguns animais, foram caros e ineficazes, devido aos elevados custos envolvidos na captura de animais perigosos e na realização das cirurgias. Como os hipopótamos provêm de um conjunto genético limitado e podem ser portadores de doenças, levá-los de volta ao seu habitat natural em África foi considerado inviável.
O Ministério informou que continua a trabalhar em planos de realocação, mas alertou que é necessária uma ação urgente para conter esta população. Estima-se que 200 hipopótamos vivam atualmente na Colômbia. Sem intervenção, esse número poderá atingir cerca de mil até 2035, segundo a avaliação do ministério.
Tudo começou com quatro hipopótamos de Escobar
Cientistas alertam que os animais causam danos aos ecossistemas locais, além de ameaçarem espécies nativas como peixes-boi e tartarugas de rio, danificarem terrenos agrícolas e representarem riscos para a população.
A origem dos hipopótamos remonta a quatro animais africanos importados por Escobar para o seu zoológico privado na Fazenda Nápoles, uma enorme propriedade no vale do rio Magdalena com uma pista de aterragem privada que servia como residência rural do narcotraficante.
Após a morte de Escobar às mãos das forças de segurança em 1993, a propriedade ficou abandonada e os animais escaparam para os rios próximos, onde se reproduziram rapidamente e se espalharam pela região. Mais recentemente, hipopótamos foram avistados em áreas a mais de 100 quilómetros a norte da fazenda.
Apesar dos problemas, os hipopótamos também se tornaram uma atração turística, com habitantes de aldeias nas imediações da Fazenda Nápoles a promoverem passeios para observação dos animais e a venderem lembranças temáticas.
Os hipopótamos são também uma das principais atrações da Fazenda Nápoles, que foi confiscada pelo governo colombiano durante a apreensão dos bens de Escobar. O local funciona atualmente como um parque temático, com piscinas, escorregas aquáticos e um zoológico que inclui diversas outras espécies africanas.
Ambientalistas protestam decisão
Ativistas dos direitos dos animais na Colômbia opõem-se há muito às propostas de abater os hipopótamos, argumentando que estes merecem viver. Defendem que abordar o problema através da violência dá um péssimo exemplo a um país que passou por décadas de conflitos internos.
Andrea Padilla, senadora e ativista dos direitos dos animais que ajudou a elaborar uma lei contra as touradas na Colômbia, descreveu o plano de abater os hipopótamos como uma decisão cruel e acusou as autoridades governamentais de optarem pelo caminho mais fácil.
“Assassinatos e massacres nunca serão aceitáveis”, escreveu Padilla na sua conta na rede social X. Argumentou ainda que os hipopótamos “são criaturas saudáveis que são vítimas da negligência” de entidades governamentais.