A Jerónimo Martins juntou-se à Visabeira e à Black and Blue Investimentos (“B&B”), holding familiar do empresário e chairman da Martifer Carlos Martins, para comprar uma empresa de gestão de resíduos.
Num aviso publicado esta quinta-feira pela Autoridade da Concorrência, o regulador indica ter recebido a 10 de abril “uma notificação prévia de uma operação de concentração de empresas”, que “consiste na aquisição pela Black and Blue Investimentos, S.A. (“B&B”), pela Visabeira Global, SGPS, S.A. (“Visabeira”) e pela Jerónimo Martins, SGPS, S.A (“Jerónimo Martins”) do controlo conjunto sobre a Europontal – Materiais de Construção, Lda. (“Europontal”) resultante da aquisição da totalidade do seu capital social”.
De acordo com o mesmo aviso, a Europontal “é uma empresa com atividade nos segmentos de recolha e transporte de resíduos não urbanos de construção e demolição (RCD) não perigosos e respetivo tratamento e valorização, estando operacionalmente vocacionada apenas para RCD não perigosos”. De acordo com dados consultados pelo Observador na plataforma Insight View, a empresa registada em Faro teve vendas de 10,15 milhões de euros em 2024 e lucrou no mesmo ano 1,67 milhões de euros. Foi criada em 1999 e emprega perto de 80 pessoas. Tem atualmente três acionistas: José João Arvela, com 56%, Francisco Faustino com 23% e Anabela Faustino Arvela com 21%.
Esta aquisição conjunta segue-se à criação, em novembro do ano passado, da Pure Planet, uma empresa para gestão e tratamento de resíduos pelas mesmas três empresas, segundo avançou o Jornal de Negócios.
Segundo o relatório e contas de 2025 da dona do Pingo Doce (acionista do Observador através do Recheio), “em agosto de 2025, foi constituída a sociedade Pure Planet, S.A., com o objeto social de recolha e tratamento de resíduos urbanos e industriais, na qual o Grupo detém 33,33% do capital’”, estando o restante capital, segundo o mesmo jornal, distribuído da mesma forma entre a Visabeira e a B&B. “Esta sociedade tem como objeto social a recolha e tratamento de resíduos urbanos e industriais, reciclagem e produção de energia através de resíduos”, lê-se no mesmo relatório.
A operação aguarda agora a luz verde da Concorrência, que dá um período de 10 dias para que possíveis interessados se pronunciem sobre o negócio. Os valores não são conhecidos.