Ásia fecha em baixa e interrompe “rally”. Fabricante chinesa de chips Yuanjie dispara 9% e destrona Moutai


A recuperação dos mercados bolsistas que levou vários índices a atingirem novos recordes estagnou na Ásia nesta sexta-feira, à medida que os investidores reduziram as suas posições antes do fim de semana, enquanto aguardam avanços na prorrogação do cessar-fogo entre os Estados Unidos (EUA) e o Irão. Os índices de Wall Street fecharam ontem em máximos históricos e os futuros do S&P 500 permanecem ainda inalterados. Já pela Europa, os futuros do Euro Stoxx 50 cedem 0,10%.


Pelo Japão, o Topix caiu 1,01%. Já o Nikkei seguiu a mesma tendência e perdeu 1,13%, depois de ontem ter atingido um novo máximo histórico, assim como um recorde de fecho. Já por Taiwan, o TWSE recuou 0,88%, pondo fim a dois dias consecutivos de novos recordes, enquanto pela Coreia do Sul o Kospi desvalorizou 0,45%. No que toca à China, o Hang Seng de Hong Kong cedeu 1,19% e o Shanghai Composite registou uma ligeira queda de 0,15%.


O Brent caiu mais de 1%, depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter manifestado otimismo quanto à garantia de um cessar-fogo permanente com o Irão. Os investidores aguardam progressos nas negociações que possam reabrir o estreito de Ormuz, facilitando o fluxo de petróleo bruto e aliviando a pressão sobre as economias, após a subida dos preços da energia na sequência do início do conflito, no final de fevereiro.


E embora o petróleo tenha reduzido o seu prémio de risco impulsionado pela guerra e as ações tenham subido para máximos históricos, decisores de política monetária continuam a alertar que os mercados podem estar a subestimar o impacto económico da guerra. “Os mercados entram na última sessão da semana situados em níveis técnicos e psicológicos fundamentais, com a convicção ainda a faltar, enquanto os investidores aguardam sinais mais claros do Médio Oriente”, escreveu à Bloomberg Nick Twidale, da AT Global Markets.


Nesta medida, Trump afirmou, sem apresentar provas, que o Irão tinha concordado com condições às quais há muito se opunha, incluindo a renúncia às ambições de possuir armas nucleares e a entrega de urânio aos EUA. O acordo incluiria também “petróleo gratuito” e a abertura do estreito de Ormuz, afirmou o republicano. As perspetivas de um acordo com o Irão “parecem muito boas”, acrescentou.


Ainda assim, Teerão não confirmou ter feito essas concessões. Trump anunciou, também, um cessar-fogo de 10 dias entre Israel e o Líbano.


Entre os movimentos de mercado pela região asiática, a fabricante chinesa de chips Yuanjie Semiconductor Technology (+9,34%) ultrapassou a Kweichow Moutai (-3,94%) e tornou-se na ação unitária mais cara da China continental, revelando uma mudança no interesse dos investidores em direção à tecnologia e marcando um afastamento dos líderes da “velha economia”. As ações da Yuanjie Semiconductor Technology atingiram um máximo histórico de 1.439 yuans nesta sexta-feira. Entretanto, a principal destilaria da China registou a maior queda em um ano, após anunciar a sua primeira queda anual nas vendas e nos lucros em duas décadas.