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Um spray nasal em ratos reforçou a imunidade pulmonar contra vírus, bactérias e alergénios. O próximo objetivo é criar uma vacina verdadeiramente universal, mas ainda falta…

Imagine uma única vacina que protege contra a gripe, a COVID-19, bactérias que invadem os pulmões e alergénios sazonais, tudo de uma só vez.

Os cientistas desenvolveram recentemente um spray nasal para proteger contra múltiplas doenças respiratórias, incluindo a gripe sazonal e a COVID-19, que até agora testaram em ratos ao longo de um período de três meses.

Como detalha a Live Science, embora não estimule o sistema imunitário da mesma forma que as vacinas clássicas, os investigadores chamam à promissora invenção uma “vacina respiratória universal”,

Então, quão longe estamos de uma vacina verdadeiramente universal que possa atingir todos os agentes patogénicos respiratórios?

Especialistas disseram à mesma revista que, embora a nova investigação, cujos resultados foram publicados em fevereiro na Science seja interessantes, uma vacina verdadeiramente universal ainda está a anos de distância.

As vacinas contra a gripe e a COVID-19 precisam de ser atualizadas todos os anos para se manterem protetoras, porque os vírus da gripe e os coronavírus estão constantemente a sofrer mutações.

“À medida que circulam, os vírus sofrem mutações de formas grandes e pequenas”, disse o Alfredo Mena Lora, diretor médico de controlo de infeções no Saint Anthony Hospital, em Chicago, Illinois.

Este impulso para vacinas universais acelerou após a pandemia de COVID-19 expor quão vulnerável o mundo é a novos agentes patogénicos respiratórios, bem como a rapidez com que as vacinas existentes se tornam obsoletas face às mutações.

Desde então, os investigadores têm-se concentrado em desenvolver vacinas que possam durar mais tempo e proteger contra mais variantes, reduzindo potencialmente a necessidade de atualizações frequentes das fórmulas vacinais.

Vacinas universais em desenvolvimento

Muitas vacinas universais em desenvolvimento visam partes dos vírus que mudam muito pouco entre estirpes.

Por exemplo, no caso da gripe, os investigadores estão a visar a proteína hemaglutinina que se projeta da superfície viral, mas estão a focar-se na “haste” em vez da “cabeça” desta proteína, porque a haste sofre mutações mais lentamente.

A FluMos-v2 dos National Institutes of Health (NIH), que visa a hemaglutinina de seis estirpes de gripe, concluiu recentemente ensaios clínicos em humanos em fase inicial e gerou respostas imunitárias encorajadoras.

Uma vacina intranasal contra a gripe já se encontra em ensaios clínicos em fase mais avançada – lembra a Live Science. Esta utiliza vírus inteiros inativados para estimular o organismo a produzir anticorpos, que bloqueiam a infeção, e células T, que atacam células infetadas.

Esta abordagem poderá proporcionar uma proteção ampla contra múltiplas estirpes de gripe e potencialmente bloquear a transmissão — algo que as vacinas atuais contra a gripe não fazem.

Outros cientistas estão a trabalhar em vacinas pancoronavírus para proteger contra coronavírus atuais e futuros, enquanto outros exploram vacinas concebidas com inteligência artificial.

Estas são construídas utilizando ferramentas computacionais para identificar regiões de proteínas virais que sofrem mutações muito lentamente e aparecem em muitos vírus.

A esperança é no “spray”

No entanto, o estudo recente do spray nasal é único na medida em que visa proteger contra vírus, bactérias e alergénios, em vez de apenas uma família de agentes patogénicos.

Ao contrário das vacinas tradicionais, o spray nasal experimental não ensina o sistema imunitário a reconhecer proteínas específicas de um determinado antigénio, relataram os investigadores, no novo estudo.

Em vez disso, estimula a primeira linha de defesa do sistema imunitário, conhecida como sistema imunitário inato.

Isto atua como um sistema de alerta precoce nos pulmões, pronto para detetar e responder rapidamente a uma vasta gama de agentes patogénicos, mesmo aqueles que o organismo nunca encontrou antes.

“Estas células [pulmonares] são as primeiras a detetar a infeção e ajudam a determinar como a resposta imunitária se desenvolve. E aprendemos ao longo da última década que as células do sistema imunitário inato também podem ser ‘treinadas’ para responder mais rapidamente e de forma mais eficaz a ameaças futuras”, explicou o líder do estudo, Bali Pulendran, patologista na Universidade de Stanford, à Live Science.

O conceito baseia-se na investigação com a vacina Bacillus Calmette-Guérin (BCG), que previne a tuberculose.

Em 2023, Pulendran e colegas descobriram que ratos que receberam BCG apresentaram células T a deslocarem-se para os pulmões. Aí, libertaram sinais que mantiveram as células imunitárias inatas ativas nos pulmões durante meses, protegendo os ratos tanto contra a COVID-19 como contra a gripe.

Este novo spray nasal ativa uma proteção imunitária semelhante. Combina dois adjuvantes, ou substâncias que desencadeiam uma resposta imunitária, para ativar células T e atraí-las para os pulmões.

Estas células T enviam sinais químicos que imitam pistas naturais de infeção, mantendo as células inatas dos pulmões ativadas e em estado de alerta elevado. Se um agente patogénico entrar nos pulmões, as células imunitárias inatas estarão preparadas para travar a infeção desde o início.

A equipa está agora a preparar ensaios em humanos em fase inicial.


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