Foi em 2010/11, há 15 anos. O Sp. Braga de Domingos Paciência caiu da Liga dos Campeões para a Liga Europa e eliminou Lech Poznan, Liverpool e Dínamo Kiev para chegar às meias-finais de uma competição europeia pela primeira vez. Ainda afastou o Benfica e só perdeu com o FC Porto na final de Dublin, numa edição histórica para o futebol português, mas a história estava feita. Esta quinta-feira, o Sp. Braga de Carlos Vicens procurava chegar às meias-finais de uma competição europeia pela segunda vez.

Depois do empate na Pedreira, num jogo onde os minhotos até perderam Diego Rodrigues e Niakaté para lesões, o Sp. Braga visitava o Betis com o objetivo de ganhar em Sevilha e seguir em frente na Liga Europa. A equipa de Carlos Vicens venceu o Arouca no intervalo da eliminatória e surgia na segunda mão com a ideia clara de que era preciso mais do que vontade e ambição para derrotar um conjunto de Manuel Pellegrini que na temporada passada chegou à final da Liga Conferência.

Lukas segurou com as mãos o que Gorby entregou de carrinho: Sp. Braga e Betis empatam e deixam eliminatória em aberto

“O encontro vai ter fases distintas. É natural que o Betis entre forte e tente marcar cedo, depois o ritmo pode alterar-se. Precisamos de saber gerir esse início, assumir o controlo e conseguir criar oportunidades. Vamos ter de defender quando for necessário. No ataque, importa sermos eficazes nas situações que construimos. A nossa intenção é criar oportunidades de golo. Em relação ao adversário, veremos como se comporta. Têm o mesmo objetivo que nós e sabem que também precisam de marcar. Queremos ser uma equipa competitiva, intensa, a pressionar em bloco. A ideia é conseguir impor o nosso jogo e depois a eficácia nas duas áreas fará a diferença. É isso que torna o futebol imprevisível. Vamos apresentar a nossa melhor versão e lutar ao máximo pelo apuramento”, disse o treinador espanhol na antevisão.

Assim, no Estádio de la Cartuja e já com o recuperado Rodrigo Zalazar, que ainda começava no banco, Carlos Vicens apostava novamente em Florian Grillitsch, com Gabri Martínez e Ricardo Horta no apoio a Pau Víctor. Do outro lado, num Betis que no fim de semana empatou com o Osasuna, Manuel Pellegrini também já tinha Isco, que também era ainda suplente, e lançava Antony de início, com Cucho Hernández e Abde Ezzalzouli no ataque, e o ex-Sporting Héctor Bellerín na direita da defesa.

Numa primeira parte intensa e muito agitada, o Betis abriu o marcador ainda dentro do quarto de hora inicial e por intermédio de Antony, que cabeceou na área e já em queda depois de um cruzamento de Abde Ezzalzouli na esquerda (14′). Carlos Vicens foi forçado a realizar a primeira substituição por lesão de Bright Arrey-Mbi, lançando Gabriel Moscardo, e os espanhóis aumentaram a vantagem logo a seguir e através de Abde Ezzalzouli, que apareceu sozinho na área a rematar (27′).

Antony ainda bisou, no que parecia ser o xeque-mate dos espanhóis, mas o lance foi anulado por fora de jogo do brasileiro (29′). Os minhotos aproveitaram e reduziram a desvantagem por Pau Víctor, que atirou de primeira já na área (39′), e o Betis foi para o intervalo a vencer o Sp. Braga em Sevilha, mas ainda sem a eliminatória totalmente resolvida. E os portugueses provaram isso mesmo logo no início do segundo tempo. 

Com apenas cinco minutos disputados depois do intervalo, Ricardo Horta cruzou na esquerda e Vitor Carvalho, na área, saltou mais alto do que todos os outros para cabecear e empatar o jogo e a eliminatória (50′). Instantes depois, a cambalhota. Demir Tiknaz sofreu falta de Amrabat dentro da área dos espanhóis e Ricardo Horta, na conversão da grande penalidade, não falhou e confirmou a reviravolta (53′).

Carlos Vicens mexeu a meia-hora do fim, lançando Paulo Oliveira e Fran Navarro, e a euforia absoluta apareceu já à beira do último quarto de hora e quando Gorby, com um pontapé de primeira de fora de área, aumentou a vantagem dos minhotos (74′). Já nada mudou até ao fim e o quase impensável aconteceu mesmo: o Sp. Braga venceu o Betis depois de ter estado praticamente eliminado e está nas meias-finais da Liga Europa pela segunda vez na história, marcando encontro com os alemães do Friburgo e tornando-se a única equipa portuguesa ainda em prova nas competições europeias.

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Miguel Feraso Cabral