A imagem da Terra azul suspensa no negro do espaço é familiar, mas continua a surpreender a cada novo ângulo. As fotos da missão Artemis II mostram isso: uma viagem à Lua que voltou a centrar o olhar no nosso planeta.

Uma semana depois do regresso da tripulação da Artemis II, a NASA continua a divulgar novas imagens. E, apesar de o objetivo da missão ter sido a observação detalhada da superfície lunar – cor, textura, topografia -, há um elemento que se repete como protagonista inesperado: a Terra, pequena, distante, mas impossível de ignorar.

Não perca nenhuma notícia importante da atualidade de tecnologia e acompanhe tudo em tek.sapo.pt

Durante o sobrevoo lunar de 6 de abril, os astronautas registaram momentos em que o planeta surgia a “nascer” e a “pôr-se” no horizonte da Lua. Noutras imagens, aparece reduzido a um ponto azul, quase perdido na vastidão, sublinhando a distância recorde a que a tripulação se encontrava. Entre as fotografias mais marcantes está ainda um eclipse solar visto do lado oculto da Lua, com o Sol tapado e um halo ténue a revelar estrelas no fundo escuro, um contraste difícil de captar e ainda mais raro de observar.

Nada disto foi deixado ao acaso. Antes do lançamento, a tripulação recebeu cerca de 20 horas de formação específica em fotografia. Os instrutores, formados pelo Rochester Institute of Technology, treinaram os astronautas para observar, descrever e interpretar o que viam e depois traduzi-lo em imagem. Houve ensaios em simuladores da cápsula Orion, com um “modelo” da Lua suspenso num ambiente escuro, para recriar as condições reais de luz e enquadramento.

A escolha do equipamento também foi determinante. A robusta Nikon D5, já testada na International Space Station, foi a principal ferramenta, graças à sua resistência à radiação e ao desempenho em baixa luminosidade. A bordo seguiu também uma Nikon Z9 e várias objetivas, permitindo alternar entre planos mais abertos e detalhes da superfície lunar.

De acordo com os dados das imagens partilhadas pela NASA na plataforma Flickr, a tripulação usou também uma GoPro HERO4, acoplada num dos painéis solares, para captar imagens exteriores durante a missão. 

Imagem captada com uma GoPro HERO4 durante o sexto dia da missão Artemis II | Créditos: NASA (via Flickr)Imagem captada com uma GoPro HERO4 durante o sexto dia da missão Artemis II | Créditos: NASA (via Flickr)

Mas houve espaço para um elemento mais próximo do quotidiano, o iPhone 17 Pro Max. Em fevereiro deste ano, a NASA deu “luz verde” à utilização de smartphones modernos por parte dos astronautas nas suas missões espaciais, a começar pela Crew-12, que chegou à Estação Espacial Internacional em fevereiro, e pela tripulação da Artemis II.

A sua utilização facilitou capturas rápidas e espontâneas, embora tenha levantado um desafio pouco visível para quem está em Terra: o envio de ficheiros. No espaço, a largura de banda é limitada e cada imagem de alta resolução exige uma gestão cuidadosa dos dados.

Imagem da missão Artemis II captada pelo iPhone 17Imagem da missão Artemis II captada pelo iPhone 17

Imagem da missão Artemis II captada pelo iPhone 17Imagem da missão Artemis II captada pelo iPhone 17

Ao contrário das missões do programa Apollo, há mais de 50 anos, os astronautas puderam rever imediatamente as fotografias e ajustar técnicas em tempo real. Essa combinação entre observação humana e registo digital está agora a ser usada por cientistas para criar um conjunto de dados único, que deverá apoiar futuras missões.

Assine a newsletter do TEK Notícias e receba todos os dias as principais notícias de tecnologia na sua caixa de correio.