GPsolo / pixabay

As abelhas são frequentemente retratadas como habitantes de colmeias mas, na verdade, cerca de 70 por cento das abelhas fazem ninhos no solo.

Agora, uma equipa de cientistas descobriu uma aglomeração de 5,6 milhões de abelhas debaixo de um cemitério no estado de Nova Iorque, sendo esta uma das maiores e mais antigas já registadas.

Segundo a Scientific American, os cientistas sabiam que uma espécie destas abelhas, Andrena regularis, se encontrava no cemitério East Lawn, na cidade de Ithaca, pelo menos desde 1935 — mas não tinham noção de quantas abelhas lá viviam.

Num novo estudo, publicado esta segunda-feira na Apidologie, os investigadores recolheram, durante um mês e meio, abelhas em vários locais ao redor do cemitério e estimaram quantos membros A.regularis viviam no subsolo.

O grupo observou que mais de 5 milhões de abelhas emergiram para procurar alimento e acasalar na primavera de 2023, numa área de cerca de 6500 metros quadrados.

“Fiquei completamente pasmado quando fizemos os cálculos. Já vi estimativas publicadas de aglomerações de abelhas na casa das centenas de milhares. Mas nunca imaginei realmente que fossem 5,56 milhões de abelhas”, diz o autor principal do estudo, Bryan Danforth.

Num outro estudo, realizado no Arizona, os autores estimaram que cerca de 1,6 milhões de abelhas Centris caesalpiniae emergiram de um local de 1290 metros quadrados num ano. Já num segundo estudo, realizado em 2024, foram contabilizadas 651440 abelhas Melissodes bimaculatus num relvado suburbano no norte do estado de Nova Iorque.

Ainda num terceiro estudo, foram observadas aproximadamente 13500 abelhas Epicharis picta num local de 160 metros quadrados no Brasil.

Assim, esta investigação aponta para a importância dos cemitérios como habitat para as abelhas que fazem ninhos no solo, sendo considerado um polinizador “excecionalmente importante”, afirma Danforth.

“As abelhas solitárias são totalmente subvalorizadas. Passo muito tempo a tentar incentivar as pessoas a valorizar estes insetos, simplesmente porque fazem tanto e acabam por passar um pouco despercebidas”, conclui Danforth.

Soraia Ferreira, ZAP //