Tim Cook vai deixar a liderança da Apple este ano. John Ternus, vice-presidente sénior de Engenharia de Hardware, será o próximo CEO da Apple, assumindo o cargo a partir do dia 1 de setembro.

A partir dessa data, Tim Cook vai passar a ser o presidente executivo do conselho de administração da gigante tecnológica. Segundo a Apple, a mudança, “aprovada por unanimidade pelo conselho de administração, resulta de um processo de planeamento sucessório ponderado e de longo prazo”.

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Recorde-se que, no ano passado, após a saída de Jeff Williams da equipa de executivos da Apple, já circulavam rumores que apontavam para John Ternus como o o sucessor mais provável de Tim Cook.

Na altura, fontes dentro da Apple tinham avançado a Mark Gurman da Bloomberg que o responsável continuava a ser o nome mais bem posicionado para assumir a liderança, não só experiência técnica e perfil discreto, mas também por reunir a confiança de figuras-chave dentro da empresa.

Antes de entrar na Apple em 2001, John Ternus, licenciado em engenharia mecânica pela Universidade da Pensilvânia, trabalhou como engenheiro mecânico na Virtual Research Systems, recorda a empresa da maçã.

Em 2013, tornou-se presidente de Engenharia de Hardware e, em 2021, passou a fazer parte da equipa executiva da tecnológica como vice-presidente sénior de Engenharia de Hardware.

A gigante tecnológica destaca que, ao longo do seu percurso, o responsável teve um papel determinante no lançamento de vários equipamentos, do iPad aos AirPods, passando ainda por várias gerações de iPhone, Apple Watch e Mac, incluindo o novo MacBook Neo.

Fotografia de John Ternus, novo CEO da AppleJohn Ternus, novo CEO da empresa da maçã | Créditos: Apple

John Ternus liderou grande parte do foco da empresa em áreas como fiabilidade e durabilidade, introduzindo novas técnicas para tornar os equipamentos mais resistentes, com inovações em materiais e design de hardware, aponta a Apple.  

“Estou profundamente grato por esta oportunidade de dar continuidade à missão da Apple”, afirma o novo CEO. “Tendo passado praticamente toda a minha carreira na Apple, tive a sorte de trabalhar sob a liderança de Steve Jobs e de ter Tim Cook como mentor”, realça, acrescentando que se sente “cheio de otimismo” em relação ao que a empresa poderá alcançar nos próximos anos.

Para Tim Cook, “John Ternus tem a mente de um engenheiro, a alma de um inovador e o caráter para liderar com integridade e honra”. “É sem dúvida, a pessoa certa para conduzir a Apple para o futuro”, afirma. “Não poderia estar mais confiante nas suas capacidades e no seu caráter”.

IA vai pôr à prova a nova liderança da Apple

“A nomeação de John Ternus como CEO reflete uma escolha deliberada da Apple: dar prioridade à continuidade e execução do negócio em vez de uma mudança radical”, afirma Francisco Jerónimo, Vice-Presidente para a EMEA na área de Devices (Data & Analytics) na IDC, em comentário enviado ao TEK Notícias.

Na visão do analista, a curto e médio prazo, “o negócio estará provavelmente em boas mãos”. Por um lado, o número de utilizadores fiéis aos equipamentos da Apple continua em alta e John Ternus tem uma “margem de manobra relativamente estável” no que respeita à introdução de pequenas melhorias no iPhone, nos computadores Mac e nos wearables.

Além disso, segundo os mais recentes dados da IDC, a Apple continua a deter uma posição dominante no segmento premium de smartphones a nível global, algo que, segundo Francisco Jerónimo, “dificilmente mudará a curto prazo”.


Samsung e Apple são os únicos fabricantes que ganham num mercado de smartphones em queda


Smartphones
Samsung e Apple são os únicos fabricantes que ganham num mercado de smartphones em queda

A escassez de memória e a subida acentuada dos seus preços estão a pressionar fabricantes e consumidores em todo o mundo. Samsung e Apple foram os únicos dois dos cinco maiores fabricantes a crescer, beneficiando da sua posição no segmento premium.

Por outro, “a questão mais difícil é o que vem a seguir e, em particular, como a Apple irá encontrar novos motores de crescimento quando o impulso do iPhone começar a esmorecer”, alerta o analista.

John Ternus é a pessoa certa para suceder a Tim Cook. A verdadeira questão é saber se isso se traduz na capacidade de decisão que a era da IA exige

Com o ciclo de substituição de equipamentos a tornar-se cada vez mais longo e com a saturação nos mercados premium, “a próxima grande vaga tecnológica no consumo não gira em torno do telefone, gira em torno na IA”, afirma. “E é aqui que a pressão estratégica sobre Ternus será mais intensa”.

“Era Cook” chega ao fim após 15 anos

Foi o maior privilégio da minha vida ser CEO da Apple“, afirma Tim Cook. “Estou profundamente grato por ter tido a oportunidade de trabalhar com uma equipa tão engenhosa, inovadora, criativa e genuinamente dedicada”.

Tim Cook entrou na Apple em 1998 e, a 24 de agosto de 2011, Steve Jobs, fundador visionário da empresa da maçã, passou-lhe o testemunho, apenas seis semanas antes de falecer.

Durante a sua liderança, a empresa estreou vários produtos, incluindo novas categorias nos wearables, como o Apple Watch, AirPods e Apple Vision Pro, e serviços: do iCloud ao Apple Pay, passando ainda pela Apple TV e Apple Music.

Os serviços foram aliás uma área central para a estratégia de Tim Cook e, durante a sua liderança, esta categoria cresceu para se tornar um negócio superior a 100 mil milhões de dólares, indica a Apple. A “era Cook” fica também marcada pela transição para o Apple Sillicon, com chips produzidos pela empresa.


50 anos da Apple: meio século a pensar diferente


Aniversário
50 anos da Apple: meio século a pensar diferente

De uma garagem em Los Altos ao estatuto de marca mais valiosa do mundo, a Apple celebra 50 anos de inovação, design e produtos que mudaram a forma como vivemos, trabalhamos e nos ligamos uns aos outros.

Com Tim Cook aos comandos, a Apple passou de uma capitalização bolsista de aproximadamente 350 mil milhões de dólares para 4 biliões de dólares, num crescimento superior a 1.000%, detalha a tecnológica. As receitas anuais quase quadruplicaram, de 108 mil milhões de dólares em 2011 para mais de 416 mil milhões em 2025.

“A saída de Tim Cook ao fim de 15 anos na Apple assinala o fim de uma das lideranças mais bem-sucedidas da história da tecnologia”, afirma Francisco Jerónimo.

Para o analista, a dimensão da criação de valor, “sustentada ao longo de década e meia através de múltiplos ciclos tecnológicos, choques económicos e uma pandemia global, é extraordinária por qualquer critério”. “Ele merece pleno reconhecimento por ter transformado a Apple numa das empresas mais lucrativas do mundo”, defende.

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