Em causa estão casos registados ao longo dos últimos anos envolvendo investigadores e técnicos com acesso a programas sensíveis, incluindo instituições como laboratórios nacionais, e cujas mortes ou desaparecimentos foram considerados suspeitos

O governo federal dos Estados Unidos abriu uma investigação alargada a uma série de desaparecimentos e mortes de cientistas ligados a áreas de investigação nuclear, aeroespacial e tecnológica, em diferentes Estados do país, entre as quais se inclui o homicídio do físico português do MIT Nuno Loureiro.

Em entrevista à Fox News, o secretário da Energia Chris Wright confirmou que existe um inquérito formal no Departamento de Energia, em articulação com outras agências federais, incluindo o FBI.

“Muitos dos cientistas especializados em segurança nuclear trabalham no Departamento de Energia. Por isso, sim, claro que estamos a investigar este assunto”, afirmou Wright, acrescentando que é “muito cedo para dizer alguma coisa”. “Ainda não encontrámos nada alarmante”, sublinhou.

A confirmação da investigação surge depois de o presidente Trump ter sido questionado sobre a morte de 11 cientistas e ter classificado a situação como séria.

“Espero que seja uma coincidência, mas vamos saber na próxima semana e meia. Espero que seja, não sei, uma coincidência – chamem-lhe o que quiserem -, mas algumas dessas pessoas eram muito importantes, e vamos analisar o assunto”, disse Trump aos jornalistas na quinta-feira, no Jardim Sul da Casa Branca, referindo que acabara de participar numa reunião sobre esse assunto.

Em causa estão casos registados ao longo dos últimos anos envolvendo investigadores e técnicos com acesso a programas sensíveis, incluindo instituições como laboratórios nacionais, NASA, MIT e Caltech. Entre os episódios estão desaparecimentos e mortes consideradas inesperadas – como a de Nuno Loureiro -, sem que, até ao momento, tenha sido estabelecida qualquer ligação entre eles. 

Desaparecimentos intrigam autoridades

Ao longo dos últimos anos vários cientistas desapareceram, mas os alarmes intensificaram-se após o desaparecimento do general reformado da Força Aérea William McCasland, em fevereiro, na sua casa no Novo México. 

Antes, já tinham desaparecido a engenheira aeroespacial Monica Jacinto Reza; a assistente administrativa Melissa Casias; Anthony Chavez, antigo trabalhador de Los Alamos; e Steven Garcia, responsável de propriedades da National Nuclear Security Administration.

O Los Alamos National Laboratory e a National Nuclear Security Administration fazem parte do Departamento da Energia, envolvido no desenvolvimento e manutenção do arsenal nuclear dos EUA, entre outras funções.

Segundo o deputado Eric Burlison, republicano do Missouri, várias destas pessoas saíram de casa sem os seus telefones.

“Simplesmente desapareceram, deixaram todos os dispositivos em casa. Isto não é normal”, afirmou Burlison também em entrevista à Fox News.

Para além dos desaparecimentos, foram ainda registadas 11 mortes, sendo que Amy Eskridge, que morreu em 2022 aos 34 anos, é agora citada como o 11.º caso no conjunto de várias mortes e desaparecimentos de cientistas e técnicos ligados a áreas sensíveis da investigação científica nos Estados Unidos, que desapareceram ou morreram em circunstâncias incomuns.

Eskridge morreu a 11 de junho de 2022 em Huntsville, Alabama, aos 34 anos e a morte foi registada como ferimento de bala autoinfligido, embora com poucos detalhes oficiais divulgados. Eskridge cofundou o Institute for Exotic Science e trabalhava em conceitos experimentais de propulsão, incluindo investigação de “antigravidade”.

Entre os nomes referidos estão também o general reformado William “Neil” McCasland, a cientista da NASA Monica Jacinto Reza, o contratante Steven Garcia, o astrofísico Carl Grillmair, o físico do MIT Nuno Loureiro, o engenheiro da NASA Frank Maiwald, os funcionários ligados ao laboratório de Los Alamos Melissa Casias e Anthony Chavez, o investigador da NASA Michael David Hicks e o cientista farmacêutico Jason Thomas.