Dona da mina de Boticas diz que lítio nacional torna o país mais atraente para projetos industriais de companhias asiáticas. Guerra no Médio Oriente está a tornar mais “forte” o apelo da eletrificação e do lítio devido à crise energética.
O lítio português está a atrair o interesse de investidores europeus, asiáticos e americanos.
A mina de Boticas, distrito de Vila Real, ainda tem 75% da sua produção prevista para vender e a companhia tem recebido chamadas da “Europa, Coreia do Sul, China, Japão e Estados Unidos”.
A produção deverá arrancar a partir de 2028 e tem estado no mercado a tentar colocar o lítio.
“Querem tomar parte no volume de produção. Sabem que temos um bom projeto. É apelativo para muitos”, disse o presidente da Savannah Resources, Emanuel Proença.
O líder da mineira britânica destacou que interessados da China ou da Coreia do Sul “querem trazer mais projetos industriais para Portugal e a Europa” e que a mina de Boticas “aumenta a hipótese” destes projetos arrancarem.
Existem vários passos importantes a dar nos próximos tempos: conclusão do estudo de engenharia (DFS) nos próximos 3/4 meses; submissão na reta final deste ano dos pedidos de financiamento junto de investidores (via ‘project finance’). Objetivo: começar a produzir lítio em 2028.
A companhia destacou que o lítio teve “condições de mercado muito difíceis” nos últimos anos, mas que o preço tem vindo a recuperar significativamente nos últimos meses, com uma subida de 175% desde o início de novembro para 2.400 dólares por tonelada.
Como resultado, 800 milhões de dólares têm vindo a ser investidos nos mercados em ações de lítio.
“Estamos muito confortáveis com os preços atuais… criariam valor significativo para os nossos acionistas”, caso a produção já tivesse arrancado, destacou o gestor, apontando que há muitas oportunidades nos carros elétricos, mas também nas baterias para as energias renováveis.
“As baterias vão moldar os mercados europeus nos próximos anos. Precisam de ser mais produzidas com mais componentes europeus. Projetos como o nosso vão ter vantagens”, sublinhou.
Sobre o interesse por parte de investidores, Emanuel Proença destacou que há um “nível muito bom de interesse de bancos e potenciais compradores” devido ao facto de o “preço ter recuperado” e de haver maior procura. “O lítio está de volta com grande procura. São boas notícias para o mundo. A procura está a acelerar”.
A guerra entre os EUA e o Irão, e a crise energética, “só estão a tornar mais forte o caso para o lítio”, com o mundo a “requerer mais soluções como esta. O mundo precisa de soluções de curto prazo. Já não é só carros elétricos ligeiros, mas também veículos pesados”.
Sobre as refinarias de lítio nacionais, o gestor apontou que existem “alguns projetos”, mas que “não estão a avançar tão rapidamente”.
“É preciso que algumas partes da cadeia de valor estejam no lugar para que outras avancem. É muito difícil ter capacidade refinadora sem ter boas soluções” de fornecimento de lítio.
Assim, a Savannah tem noção de que vai ter de “enviar algumas partes do nosso produto para outro lugar” para ser refinado.
“Temos falado com vários refinadores europeus, ou interessados” em se tornarem num. “Acreditamos firmemente que a Europa vai ter capacidade refinadora mais do que suficiente. Se depender de nós, a Europa vai ter mais capacidade”, acrescentou.
“Temos trabalhado com a AMG [alemães que são os principais acionistas da Savannah] e com outros atores da Alemanha, países nórdicos, Portugal e Espanha para ter mais refinarias na região. É uma questão de tempo até termos projetos sólidos desde o primeiro dia. Colocar toda a nossa produção potencialmente em território português é uma vantagem da relação AMG”, afirmou.
Esta unidade tem a capacidade para refinar o lítio suficiente para fornecer 500 mil baterias por ano, o equivalente a 20 mil toneladas por ano. Até 2030, a previsão é expandir a capacidade desta unidade para produzir 100 mil toneladas por ano de hidróxido de lítio para carros elétricos (o equivalente a 14% da quota de mercado projetada para 2030). A procura anual por lítio para baterias na Europa deverá atingir as 700 mil toneladas cúbicas até 2030.