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Ginkgo biloba

Algumas plantas hibakujumoku estavam já preparadas para o pior, sugere novo estudo.

Os dois bombardeamentos nucleares dos EUA sobre o Japão causaram, segundo as estimativas, mais de duzentas mil mortes humanas. No entanto, árvores e outras plantas sobreviveram ao massacre inédito de Hiroshima e Nagasaki.

Um estudo recente, décadas depois destes dois acontecimentos históricos, procura explicar como é que isso aconteceu com parte da flora japonesa.

No centro de Hiroshima existem, ainda hoje, as chamadas hibakujumoku, termo japonês que designa as “árvores bombardeadas pela bomba atómica”. O nome resulta de hibaku, “atingido pela bomba”, e jumoku, “árvores” ou “arbustos”.

Estas árvores tornaram-se um símbolo de resistência e renascimento, numa cidade devastada pelo ataque nuclear norte-americano de 6 de agosto de 1945.

Às 8h15 locais desse dia, a bomba lançada sobre Hiroshima, com uma potência equivalente a 15 quilotoneladas de TNT, libertou níveis extremos de calor e radiação. Segundo o estudo agora revisto Progress in Biophysics and Molecular Biology, a temperatura a cerca de três quilómetros do hipocentro poderá ter atingido entre 3.000 e 4.000 graus Celsius nos primeiros instantes após a detonação. A explosão expôs ainda a zona a cerca de 240 grays (Gy) de radiação — um valor muito acima da dose potencialmente letal para humanos, que pode começar nos cinco Gy.

Perante estes números, muitos especialistas acreditaram, na altura, que a vegetação da região não recuperaria durante décadas. Algumas previsões apontavam para um intervalo de até 75 anos antes de a vida vegetal regressar. No entanto, para sua surpresa, rebentos começaram a surgir poucos meses depois dos bombardeamentos.

É precisamente essa recuperação rápida que intriga agora os cientistas. Ao contrário do que aconteceu em Chernobyl e Fukushima, zonas marcadas por contaminação crónica e prolongada, Hiroshima e Nagasaki foram atingidas por uma carga aguda e extremamente intensa, seguida por uma descida rápida dos níveis de radiação. Essa diferença muda a pergunta científica: em vez de estudar a adaptação a exposição prolongada, os investigadores querem perceber, de acordo com o Popular Mechanics, como certas plantas sobreviveram a um choque extremo imediato.

Como as plantas podem ter sobrevivido

O novo artigo sugere que a explicação pode estar naquilo a que os autores chamam “resiliência constitutiva”, ou seja, mecanismos de defesa já presentes nas plantas antes do ataque.

Entre esses mecanismos poderão estar sistemas eficazes de reparação do ADN, maior capacidade antioxidante e características morfológicas protetoras.

Em vez de uma adaptação geracional, como observada noutros cenários nucleares, a sobrevivência poderá ter dependido então de estratégias biológicas pré-existentes, da localização exata de cada exemplar ou até de microambientes que ofereceram alguma proteção.

Entre as espécies que recuperaram estão o Ginkgo biloba, uma das espécies arbóreas mais antigas do mundo, além de salgueiros-chorões, árvores hackberry japonesas e várias ervas, como a erva-prateada japonesa. Algumas regeneraram-se a partir de sementes protegidas; outras beneficiaram de rizomas preservados no solo.

Os autores defendem a realização de estudos mais detalhados sobre estas árvores, incluindo análises genómicas e epigenéticas, para identificar os mecanismos moleculares que permitiram a sobrevivência.


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