O Presidente do Nicarágua, Daniel Ortega, acusou o homólogo norte-americano, Donald Trump, de sofrer de “desequilíbrio mental” por ter lançado uma guerra contra o Irão que abalou o Médio Oriente e a economia mundial.

O antigo guerrilheiro de extrema-esquerda, cujo Governo é acusado de autoritarismo por Washington e por várias organizações internacionais, tinha adotado até agora um tom moderado após a ofensiva israelo-americana contra Teerão iniciada em 28 de fevereiro.

“A guerra conduzida desta forma pelo Presidente norte-americano é típica de alguém que perdeu a razão e pensa que pode cometer qualquer ato, qualquer crueldade“, afirmou Ortega durante uma cerimónia em Manágua transmitida na segunda-feira pelos meios de comunicação estatais.

É um problema, digamos, de desequilíbrio mental. Como se diz aqui, ele não tem a cabeça no lugar”, acrescentou Ortega, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

Antigo chefe da guerrilha sandinista que derrubou a ditadura na Nicarágua em 1979, Ortega, aliado da União Soviética e de Cuba na época da Guerra Fria, regressou ao poder em 2007 após eleições contestadas pela comunidade internacional.

O dirigente latino-americano, de 80 anos, criticou também Trump, de 79, por ter publicado na sua plataforma social uma imagem que o representa como Jesus Cristo.

“Publicou uma imagem onde está vestido de Cristo e faz curas. Quantos é que ele realmente curou? O povo norte-americano e os povos do mundo pedir-lhe-ão contas para saber quantos ele matou”, criticou.

Ortega, que dirige o país com a mulher, Rosa Murillo, denunciou igualmente as recentes sanções norte-americanas contra dois dos filhos, acusados de participar no controlo absoluto sobre o país.

“Estão a ficar sem pessoas para sancionar”, ironizou.

No domingo, membros da comunidade nicaraguense na Costa Rica e nos Estados Unidos reclamaram justiça por ocasião do oitavo aniversário da repressão de uma manifestação que causou mais de 300 mortos em Manágua.

Sob o Governo de Ortega, centenas de milhares de nicaraguenses foram forçados ao exílio, entre os quais responsáveis políticos, intelectuais, religiosos, estudantes, líderes sociais e jornalistas.