A União Europeia deu luz verde ao empréstimo de 90 mil milhões de euros para a Ucrânia, confirmou a presidência cipriota do Conselho da UE, pondo fim a um impasse de vários meses motivado pelo bloqueio da Hungria.
Momentos antes tinha sido confirmada a reabertura do oleoduto de Druzhba, permitindo o fluxo de petróleo russo para a Hungria através da Ucrânia, satisfazendo as exigências do ainda primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, que apenas daria um voto favorável ao empréstimo assim que esta infra-estrutura fosse reparada.
O apoio macro-financeiro da UE à Ucrânia, através de um empréstimo de 90 mil milhões de euros para 2026 e 2027, foi aprovado pelos líderes do Conselho Europeu em Dezembro. A Hungria não participa no financiamento, mas o seu voto era necessário para poder concretizar a operação financeira, uma vez que é o orçamento comunitário que serve de garantia à emissão de dívida da UE. O processo deverá ficar definitivamente concluído esta quinta-feira, com uma aprovação por procedimento escrito.
À hora do jantar, quando o Presidente ucraniano se ligar como habitualmente à reunião informal dos chefes de Estado e governo da UE, em Chipre, poderá já haver uma perspectiva de quando será efectuada a primeira transferência para Kiev.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, saudou a decisão que descreveu como o “sinal certo” no quadro do apoio europeu à Ucrânia. “A Rússia deve pôr fim à sua guerra. E os incentivos para isso podem surgir apenas quando tanto o apoio à Ucrânia como a pressão sobre a Rússia forem suficientes”, afirmou através da rede social X.
Esta semana, Orbán já tinha dado sinais de que o veto da Hungria ao empréstimo, assim como ao 20.º pacote de sanções à Rússia, estaria prestes a ser levantado. O Fidesz, partido que está no poder na Hungria há 16 anos, sofreu uma enorme derrota nas eleições legislativas deste mês contra o partido europeísta Tisza, de Péter Magyar.
Enquanto ainda decorria a reunião de embaixadores dos Estados-membros, as empresas energéticas da Hungria e da Ucrânia, a MOL e a JSC, respectivamente, confirmavam a retoma do fluxo de petróleo através do oleoduto de Druzhba.
“Esperamos que os primeiros fornecimentos de crude após a reabertura da secção ucraniana do sistema do oleoduto cheguem à Hungria e à Eslováquia amanhã o mais tardar”, informou a empresa húngara.
O oleoduto estava inactivo desde o final de Janeiro depois de ter ficado muito danificado na sequência de bombardeamentos russos. O Governo húngaro, que tem sido um dos maiores opositores ao apoio europeu a Kiev, acusou a Ucrânia de estar a impedir deliberadamente a retoma do fluxo de petróleo e, por isso, bloqueou o empréstimo.