“Cancelámos alguns voos até agora, cerca de 50 para Maio e Junho, mas é um processo dinâmico, temos de nos adaptar no dia-a-dia. Não é algo fácil de fazer, mas temos de enfrentar a realidade do aumento do preço dos combustíveis”, afirmou o novo director comercial da Transavia França, Julien Mallard, em conferência de imprensa no Porto.
Salientando que “estas questões fazem parte da gestão quotidiana da companhia”, o responsável referiu que o facto de a Transavia integrar o grupo Air France-KLM a está “a beneficiar” a este nível.
“Todas as companhias estão a enfrentar o mesmo problema de jet fuel, mas estamos a implementar novos processos para que, nos próximos meses, o impacto do combustível não nos obrigue a reduzir capacidade”, enfatizou.
Julien Mallard destacou, contudo, que a “muita incerteza” obriga a companhia a ter “muita flexibilidade” e a fazer um “exercício diário”, pelo que são possíveis eventuais novos cancelamentos, sendo os passageiros reembolsados do valor do voo.
Segundo o director comercial, desde Março o aumento do preço dos combustíveis levou a companhia franco-neerlandesa a aumentar as tarifas em cinco euros por viagem, “para enfrentar a realidade do mercado”.
“O nosso objectivo é sermos o mais flexíveis possível. São precisos ajustamentos numa base diária para garantir que tomamos a melhor decisão para a companhia”, reiterou.
O grupo Lufthansa também anunciou esta semana o cancelamento de 20.000 voos de curta distância até Outubro, uma redução de cerca de 1% da capacidade de transporte de passageiros da companhia aérea no Verão, para fazer face ao aumento acentuado dos preços do querosene e diminuição das reservas deste combustível, uma consequência do bloqueio do estreito de Ormuz e do conflito entre EUA e Israel e Irão.
Há vários voos cancelados e rotas adiadas por diferentes companhias, e os preços prometem continuar a subir caso não seja encontra uma resolução para o conflito.
Relativamente a Portugal — destacado como um “mercado chave” para a companhia, cujo primeiro voo foi entre Paris e o Porto — o director comercial da Transavia França destacou ter registado em 2025 um ano “especialmente positivo”, assumindo-se como o terceiro mercado em capacidade de lugares, com 3,3 milhões de passageiros transportados entre Portugal e França, Países Baixos e Bélgica e uma taxa de ocupação superior a 90%.
Com voos a partir de cinco aeroportos portugueses para nove destinos (seis em França, três nos Países Baixos e um na Bélgica), a Transavia vai oferecer neste Verão mais de 2,5 milhões de lugares no mercado português, um aumento de 5,5% face ao mesmo período de 2024.
“Com 24 rotas a operar este Verão de/para França, Países Baixos e Bélgica, Portugal vai ser, uma vez mais, um dos três mercados com melhor desempenho da companhia”, salienta.
Segundo Julien Mallard, os sete voos diários nas rotas entre Paris (Orly) e Porto, e os cinco voos diários entre Paris (Orly) e Lisboa vão “facilitar as viagens de negócios”, registando-se ainda 5% de capacidade adicional para Portugal a partir de Amesterdão face ao Verão de 2025.
A Transavia opera voos regulares para Portugal há quase 19 anos (desde 12 de Maio de 2007), tendo transportado desde então mais de 25 milhões de passageiros, e serve actualmente os aeroportos de Faro, Funchal, Lisboa, Ponta Delgada e Porto de/para França, Países Baixos e Bélgica.
“Com um crescimento sustentado, sobretudo devido à chegada dos novos Airbus A320neo e A321neo, estamos a manter o nosso foco estratégico em Portugal em 2026, primeiro mercado para França e segundo a nível mundial”, acrescenta o CCO.